Roda de conversa no HAB fortalece comunicação assertiva e saúde emocional na Enfermagem
Iniciativa do RH reuniu profissionais da Enfermagem para refletir sobre Comunicação Não Violenta, prevenção de conflitos e estratégias que contribuem para relações mais respeitosas com pacientes, acompanhantes e equipes.
Uma internação também mobiliza emoções. Para quem está diante de um diagnóstico, de um procedimento ou da hospitalização de alguém da família, medo, ansiedade e insegurança podem interferir na maneira de perguntar, reagir e até compreender uma orientação.
Do outro lado dessa conversa está o profissional de saúde, que precisa acolher essas emoções sem perder a clareza necessária para conduzir o atendimento.
É uma realidade que a enfermeira Caroline Veloso reconhece na rotina assistencial. Para ela, a comunicação com pacientes e acompanhantes pode se tornar especialmente desafiadora justamente porque essas pessoas estão vivenciando um momento de adoecimento, medo e ansiedade.
Foi sobre situações como essas que profissionais da Enfermagem do Hospital Adventista de Belém foram convidados a conversar durante o mês de agosto. Promovidos pelo setor de Gestão de Pessoas – RH e conduzidos pela psicóloga organizacional Bárbara Alves, os encontros tiveram como tema “Comunicação que Acolhe: diálogo assertivo como aliado da saúde emocional”.
Realizadas nos turnos da manhã, tarde e noite, as rodas de conversa partiram de necessidades percebidas a partir da própria escuta dos colaboradores. Situações de tensão e desafios de comunicação presentes na rotina de atendimento mostraram a importância de oferecer aos profissionais ferramentas para lidar com interações mais difíceis de maneira respeitosa, segura e assertiva.
“A partir da escuta dos colaboradores, foram identificadas situações de tensão e desafios de comunicação vivenciados na rotina de atendimento, especialmente nas interações com pacientes e acompanhantes”, explica Bárbara. “Diante dessa necessidade, o RH buscou trabalhar a Comunicação Não Violenta como uma ferramenta para a desescalada de conflitos.”

Um espaço para falar e também ser ouvido
A escolha da roda de conversa não foi por acaso. Em vez de uma capacitação exclusivamente expositiva, a proposta era criar um ambiente no qual os profissionais também pudessem compartilhar experiências vivenciadas no trabalho e refletir sobre elas.
“A proposta era ir além de uma aula expositiva e oferecer aos profissionais um espaço em que também pudessem falar sobre as situações vivenciadas no dia a dia. A roda de conversa possibilitou momentos de escuta e acolhimento das demandas trazidas pela própria equipe”, destaca Bárbara.
Por isso, os encontros não seguiram um formato rígido. Em algumas rodas, slides foram utilizados como apoio. Em outras, os próprios relatos dos profissionais direcionaram boa parte da conversa.
A Comunicação Não Violenta (CNV) esteve no centro das reflexões. A abordagem trabalha elementos como escuta ativa, empatia, clareza na expressão de sentimentos e necessidades e estabelecimento de limites, buscando reduzir julgamentos e direcionar a comunicação para a construção de soluções.
Para Bárbara, essas ferramentas podem ajudar o profissional inclusive quando a interação já apresenta sinais de tensão.
“A Comunicação Não Violenta ajuda o profissional a se expressar de maneira clara, respeitosa e empática, reconhecendo seus sentimentos e comunicando suas necessidades. Também reforça a importância da escuta ativa e do acolhimento do que é apresentado pelo outro, evitando julgamentos ou acusações e direcionando a comunicação para a busca de soluções”, afirma.
É nesse contexto que aparece a chamada desescalada de conflitos: estratégias de comunicação que ajudam a reduzir a tensão e evitar que uma situação difícil evolua para um conflito maior.

Da reflexão para a rotina
Para Caroline, participar da roda de conversa trouxe uma reflexão especialmente importante para situações de tensão: antes de responder, é preciso ouvir.
“A roda de conversa me fez refletir sobre a importância de manter a calma, ouvir atentamente e buscar compreender o ponto de vista do outro antes de responder e tentar oferecer uma alternativa na resolução do problema”, relata.
O aprendizado também alcança outro aspecto importante das relações profissionais: saber estabelecer limites sem romper o respeito. Para a enfermeira, ouvir com atenção ajuda a compreender as necessidades do outro e evita interpretações equivocadas, enquanto a assertividade permite manter uma comunicação profissional mesmo diante de situações mais delicadas.
Esse comportamento pode repercutir também na experiência de quem recebe o cuidado.
“Uma comunicação mais assertiva e acolhedora contribui para fortalecer a confiança do paciente e proporcionar maior segurança durante o cuidado, principalmente em momentos de fragilidade”, destaca Caroline.
Dentro da própria equipe, ela percebe outro benefício: uma comunicação mais clara pode favorecer o trabalho conjunto, reduzir falhas de entendimento e melhorar o relacionamento entre os profissionais.

Comunicação também como cuidado
Para o RH, a proposta das rodas de conversa não termina quando o encontro acaba. A expectativa é que as reflexões sejam incorporadas gradualmente às relações construídas todos os dias dentro do hospital.
“A expectativa é que esse processo contribua para fortalecer a comunicação, o respeito e a empatia nas relações entre os profissionais e também na interação com os clientes. A proposta é ajudar a reduzir situações de conflito, favorecer o trabalho em equipe e construir um ambiente cada vez mais acolhedor”, explica Bárbara.
No contato com pacientes e acompanhantes, isso significa estar mais preparado para ouvir, compreender necessidades e comunicar orientações ou limites de forma respeitosa.
“No atendimento aos pacientes e acompanhantes, espera-se que os profissionais estejam ainda mais preparados para ouvir com atenção, compreender melhor as necessidades de cada pessoa e se comunicar de maneira clara, respeitosa e humanizada, sabendo colocar limites na interação quando necessário”, acrescenta.
Ao transformar situações relatadas pelos próprios profissionais em espaços de escuta, reflexão e desenvolvimento, a iniciativa também reforça uma dimensão do cuidado que nem sempre é visível: a preparação de quem precisa se comunicar diariamente com pessoas que vivem momentos de vulnerabilidade.
Nesse encontro entre escuta, clareza e respeito, a comunicação deixa de ser apenas uma ferramenta para transmitir informações e passa a integrar o próprio cuidado.