HAB mobiliza colaboradores com jogos educativos sobre segurança do paciente
Ação reuniu profissionais de diferentes setores para revisar práticas de segurança, esclarecer dúvidas e reforçar protocolos aplicados à rotina hospitalar.
A técnica de enfermagem Marly Raiol Pamplona já conhecia boa parte dos protocolos apresentados nos jogos montados no hall do Posto 6 do Hospital Adventista de Belém (HAB). No trabalho diário com pacientes do Posto 7, identificação correta, comunicação entre profissionais e outros cuidados relacionados à segurança fazem parte de sua rotina. Ainda assim, uma das atividades trouxe novos aprendizados.
“Eu aprendi alguns pontos interessantes que não sabia. Foi primordial para atualizar meus conhecimentos”, conta Marly sobre a dinâmica dedicada ao protocolo de sepse.
Ela participou dos três jogos realizados durante a programação e avaliou que esse tipo de atividade também ajuda a retomar conteúdos que nem sempre aparecem com a mesma frequência no cotidiano. “O bom das dinâmicas é que a gente fica atualizado sobre alguns pontos que não são vistos todos os dias”, afirma.
Realizada nos dias 16 e 17, em alusão ao Dia Mundial da Segurança do Paciente, a ação utilizou jogos educativos para revisar práticas relacionadas à prevenção de riscos durante a assistência. A programação foi promovida pelo Núcleo de Segurança do Paciente SCIRAS/Qualidade e reuniu profissionais de áreas assistenciais, administrativas e de apoio.

Segurança começa antes do cuidado assistencial
A participação de profissionais de diferentes áreas não foi aleatória. Segundo Sidney Monteiro, gerente do Núcleo de Segurança do Paciente SCIRAS/Qualidade, a segurança do paciente depende de processos que envolvem diferentes setores desde a chegada à instituição.
“A segurança é uma responsabilidade de toda a instituição, independentemente da categoria”, afirma.
Sidney explica que esse cuidado pode estar presente na abordagem inicial, na identificação correta do paciente, na transmissão das informações entre equipes ou nos procedimentos realizados durante a internação. Por isso, segundo ele, o cumprimento dos protocolos não deve ficar restrito à Enfermagem, ao corpo médico ou a outros profissionais diretamente ligados à assistência.
“A segurança começa quando o paciente entra pela porta do hospital”, resume.
Essa diversidade esteve presente durante os dois dias de programação. Participaram profissionais das unidades de internação, UTIs e prontos atendimentos adulto e infantil, além de nutricionistas, fisioterapeutas, técnicos de manutenção, profissionais da Hotelaria e Higienização, copeiras, maqueiros e colaboradores do Recursos Humanos e de Contas Médicas.
A ação também não surgiu de uma situação pontual observada no hospital. Sidney explica que a programação já integra o calendário anual da Qualidade e é realizada como parte das atividades relacionadas ao Dia Mundial da Segurança do Paciente.
Segundo ele, a proposta é retomar conteúdos trabalhados ao longo do ano e manter o tema presente entre as equipes. “A gente mostrou alguns pontos que trabalha aqui dentro do hospital sobre segurança e fez brincadeiras para trazer à memória a importância desse cuidado”, explica.


Jogos transformam protocolos em situações do cotidiano
Três dinâmicas foram utilizadas: o jogo da sequência de cores, uma atividade sobre notificação de eventos e outra dedicada ao protocolo de sepse.
No jogo das cores, cada participante respondia inicialmente a duas perguntas sobre as metas internacionais de segurança do paciente. Depois, precisava descobrir a sequência correta de cones coloridos.
A enfermeira Raquel Nogueira, integrante da equipe organizadora, as perguntas permitiam perceber o nível de conhecimento de cada participante e aprofundar os assuntos sempre que necessário. A sequência de cores, por sua vez, acrescentava um componente de descontração à atividade.
“O objetivo era observar o nível de conhecimento do participante e, conforme a resposta dada, explicar mais profundamente sobre as metas e a importância delas na segurança do paciente”, explica.
Uma das dúvidas identificadas durante essa dinâmica estava justamente na aplicação das metas por profissionais que não mantêm contato direto com o paciente. Raquel afirma que as respostas eram adaptadas à realidade de cada área.
“As dúvidas foram esclarecidas conforme iam surgindo, com explicações claras e objetivas e exemplos de como aplicar ao setor em que o participante atua”, afirma.
Na atividade sobre notificação de eventos, os questionamentos se concentraram na classificação de situações encontradas durante o trabalho. Raquel cita, por exemplo, dúvidas sobre como notificar problemas com materiais descartáveis danificados, como seringas e equipos, e sobre a diferença entre uma circunstância de risco e um incidente que não chegou a atingir o paciente.
A utilização de exemplos da própria rotina buscava facilitar essa associação. Para a enfermeira, aproximar o conteúdo das situações vivenciadas pelos colaboradores ajuda o profissional a compreender onde aquele conhecimento se encaixa no próprio trabalho.
Sepse exige reconhecimento e resposta rápida
O protocolo de sepse esteve entre os temas que mais despertaram dúvidas durante os jogos. Os participantes questionaram, principalmente, quais medidas devem ser adotadas no atendimento inicial e em que momento devem ocorrer determinadas coletas de exames.
A médica Mayara Pantoja explica que a sepse é uma disfunção orgânica potencialmente fatal provocada por uma resposta desregulada do organismo diante de uma infecção. Por isso, o reconhecimento dos sinais de alerta é uma etapa importante do atendimento.
No HAB, profissionais de diferentes categorias da equipe assistencial são treinados para identificar esses sinais e acionar o protocolo institucional. Alterações de temperatura corporal, aumento da frequência cardíaca, mudanças no nível de consciência ou na pressão arterial, quando associadas à suspeita de infecção, estão entre os aspectos observados.
“Quando todos da equipe assistencial são treinados e capazes de reconhecer os sinais de deterioração clínica, conseguimos agir de forma mais precoce e rápida”, explica Mayara.
Após o acionamento do protocolo, a avaliação pode envolver exames laboratoriais e culturas, administração do antibiótico indicado, hidratação venosa e outras medidas definidas conforme a condição clínica do paciente. Dependendo do quadro, também pode ser necessária a transferência para uma unidade de terapia intensiva.
Mayara acrescenta que o protocolo não termina após as primeiras condutas. O paciente precisa ser reavaliado para verificar a resposta às medidas adotadas e definir se serão necessárias novas intervenções.
“O papel da equipe assistencial vai muito além da hora inicial”, afirma.
Segundo a médica, essa atuação integrada continua durante a recuperação, incluindo acolhimento da família e participação de profissionais envolvidos na reabilitação física e nutricional.


Aprendizado acompanhado na rotina
A realização da programação no hall do Posto 6 também deu visibilidade às atividades para quem circulava pelo local. Raquel relata que pacientes e acompanhantes chegaram a observar a decoração e se aproximaram da ação, embora não tenham participado dos jogos.
Mesmo assim, receberam explicações sobre o motivo da programação, a importância das metas de segurança durante a internação e foram convidados a conhecer as atividades.
O trabalho relacionado à segurança do paciente, porém, não se limita às ações educativas. Sidney explica que protocolos e metas são acompanhados diariamente por meio de indicadores e auditorias.
A identificação correta do paciente, por exemplo, possui um indicador próprio. O mesmo ocorre com processos relacionados à comunicação entre áreas, segurança na cadeia medicamentosa e outras práticas assistenciais. Cirurgias também são auditadas para verificar o cumprimento das etapas previstas no protocolo de cirurgia segura.
“Esses indicadores são acompanhados para identificar se existem desvios e discutir as melhores formas de resolver quando eles aparecem”, explica Sidney.
Segundo ele, o acompanhamento inclui ainda práticas relacionadas à prevenção de infecções, quedas e lesões por pressão. Os resultados são monitorados ao longo da rotina, discutidos mensalmente e apresentados à administração e à direção da rede. As auditorias diárias também ajudam a observar como os processos estão sendo executados na prática.
Para Marly, esse acompanhamento começa por atitudes simples e presentes em cada atendimento. Ao relacionar os jogos à rotina do Posto 7, ela aponta a identificação como um dos primeiros cuidados.
“O primeiro cuidado primordial é a identificação correta do paciente. Podemos evitar muitas situações que gerem risco”, afirma.
Na prática, ela relaciona esse cuidado a outros protocolos retomados durante a ação, como comunicação entre profissionais, segurança no uso de medicamentos, cirurgia segura, prevenção de infecções e redução dos riscos de quedas.
“São cuidados que devemos saber para evitar danos aos pacientes”, conclui.
Acesse a galeria de fotos!