Segurança do paciente é fortalecida com capacitação em manejo e administração de medicamentos
Treinamento do NCP integra estratégia institucional de qualificação da assistência e cuidado centrado na pessoa.
Em 2012, um caso amplamente repercutido na imprensa brasileira trouxe à tona os riscos relacionados à administração de substâncias em ambientes hospitalares. Uma paciente idosa morreu após receber, por via intravenosa, uma solução destinada à alimentação enteral — um evento associado a falhas no processo de identificação e no cumprimento de protocolos de segurança.
Após a administração indevida, o quadro clínico evoluiu rapidamente, com instabilidade hemodinâmica. Apesar das intervenções, a paciente não resistiu. O episódio evidenciou como falhas em processos assistenciais podem resultar em desfechos graves.
Na prática assistencial, cada cuidado carrega um impacto direto na vida de alguém. Na administração de medicamentos, um detalhe pode definir não apenas um desfecho clínico, mas também a experiência vivida pelo paciente durante sua jornada de cuidado.
Diante dessa responsabilidade, o Hospital Adventista de Belém promoveu, nos dias 26 e 27 de março, no auditório Irineu Stabenow, o treinamento sobre manejo e administração de medicamentos, direcionado a enfermeiros e técnicos de enfermagem.
Um processo que exige precisão e integração
A administração de medicamentos é uma das etapas mais críticas da assistência, pois representa o momento em que todo o cuidado se concretiza no paciente. Nesse contexto, conhecimento técnico, atenção e comunicação entre equipes são determinantes.
Para a farmacêutica e supervisora Samara Vilaça, facilitadora da capacitação, esse processo exige atuação integrada.
“É quando todo o processo chega, de fato, ao paciente. Cada detalhe faz diferença. Por isso, é um momento que exige atenção, responsabilidade e, principalmente, trabalho em equipe. Quando farmácia e enfermagem caminham juntas, o cuidado se torna mais seguro, mais eficiente e mais humano”, destaca.
A capacitação, conduzida pelo Núcleo de Capacitação e Pesquisa (NCP), teve como foco fortalecer essa integração, padronizar condutas e reduzir riscos associados à assistência.
Atenção aos pontos críticos da prática assistencial
Durante o treinamento, foram abordados aspectos sensíveis da rotina assistencial que exigem atenção constante da equipe.
Segundo Samara, situações como doses inadequadas, falhas na diluição, identificação incorreta do paciente e tempo de infusão inadequado são fatores que podem comprometer a segurança do cuidado.
“Mais do que evitar falhas, o treinamento fortalece a consciência da equipe sobre o impacto de cada etapa, contribuindo para um cuidado mais seguro e para o uso adequado dos medicamentos”, explica.
Foram reforçadas práticas essenciais, como conferência segura, preparo correto dos medicamentos, cuidados com diluição e estabilidade, além da importância de respeitar o tempo de administração.
Da teoria à prática: o que muda na rotina
Para os profissionais da assistência, o treinamento trouxe reflexões diretamente aplicáveis ao dia a dia.
A enfermeira Emanuelle Moreira destacou que a capacitação reforçou aspectos importantes da prática assistencial, especialmente relacionados à diluição de antibióticos e ao tempo adequado de infusão.
“Questões como diluição adequada dos antibióticos e tempo correto de infusão merecem atenção constante da equipe, porque impactam diretamente a segurança do paciente e a resposta terapêutica”, afirma.
Durante o treinamento, conteúdos técnicos relevantes foram aprofundados, contribuindo para uma compreensão mais precisa do comportamento dos medicamentos após o preparo.
“Na reconstituição de medicamentos em pó, como a ceftriaxona 1 g, por exemplo, ocorre uma expansão no volume final da solução. Esse tipo de detalhe precisa ser considerado na prática assistencial”, explica.
Além disso, aspectos como estabilidade do medicamento, temperatura, concentração e tempo de preparo passaram a ser analisados com maior criticidade na rotina.
Segurança que se constrói todos os dias
Para Emanuelle, a capacitação impacta diretamente a segurança e a confiança no cuidado prestado.
“Os treinamentos são fundamentais para o aprimoramento da segurança e da qualidade da assistência. Eles ajudam a qualificar o processo de trabalho e contribuem para a prevenção de eventos adversos”, destaca.
Na prática, isso se traduz em uma assistência mais segura, padronizada e alinhada às necessidades do paciente.
Educação permanente e cultura de segurança
A iniciativa integra as estratégias institucionais voltadas ao fortalecimento da cultura de segurança do paciente e da experiência do paciente.
Para Samara, a educação permanente é essencial para manter o cuidado em constante evolução.
“É nesses momentos que a equipe se atualiza, reflete sobre a prática e fortalece a cultura de segurança. Para a farmácia, é muito significativo participar, porque reforça nosso papel como parceiros da assistência”, destaca.
Ela também ressalta a importância da atuação integrada entre farmácia e enfermagem, especialmente no uso racional de medicamentos — uma das metas globais da Organização Mundial da Saúde (OMS).
“Estar próximo da equipe, contribuindo com conhecimento e construindo soluções juntos, é essencial para garantir um cuidado mais seguro e mais consciente”, completa.
Cuidado centrado na pessoa: mais que técnica, compromisso
Mais do que protocolos e processos, a segurança do paciente está diretamente ligada à forma como o cuidado é conduzido.
Cada medicação administrada envolve uma decisão, um contexto clínico e, acima de tudo, uma pessoa.
Ao investir em capacitações contínuas, o Hospital Adventista de Belém reafirma seu compromisso com uma assistência que une qualidade técnica, acolhimento e responsabilidade — fortalecendo o cuidado centrado na pessoa e promovendo uma experiência mais segura e significativa.