Avaliação correta do risco de TEV fortalece segurança do paciente no Hospital Adventista de Belém
Treinamento qualifica equipe de enfermagem para decisões clínicas mais seguras e padronizadas na prevenção de eventos graves.
Nem todo risco é visível.
Em muitos casos, ele se desenvolve de forma silenciosa — como um coágulo que percorre o sistema vascular até comprometer o fluxo sanguíneo em um ponto crítico. Quando isso acontece, o desfecho pode ser grave: perda de função de um membro, embolia pulmonar, infarto ou até uma parada cardiorrespiratória.
É nesse contexto que a avaliação de risco para tromboembolismo venoso (TEV) se consolida como uma etapa essencial dentro da assistência hospitalar.
Realizada diariamente pela equipe de enfermagem, essa avaliação orienta condutas clínicas e subsidia intervenções que contribuem diretamente para a prevenção de complicações. Como todo processo assistencial que envolve tomada de decisão clínica, ela exige precisão, alinhamento e atualização contínua.
Com esse propósito, o Núcleo de Capacitação e Pesquisa (NCP) promoveu, nos dias 16 e 17 de março, um treinamento voltado ao preenchimento adequado das escalas de avaliação de risco para TEV, reunindo profissionais de enfermagem em uma iniciativa voltada à padronização de práticas e ao fortalecimento da segurança do paciente.
Alinhamento de práticas para decisões mais seguras
A iniciativa foi estruturada a partir da necessidade de reforçar a uniformidade na aplicação das escalas e consolidar o entendimento entre as equipes assistenciais.
Segundo a enfermeira do Núcleo de Segurança do Paciente, Fernanda Trindade, a avaliação de risco para TEV é especialmente sensível em pacientes críticos e exige consistência na sua aplicação.
“O que motivou foi a necessidade de fortalecer essa avaliação, principalmente em pacientes que exigem maior atenção. A trombose venosa está associada a complicações importantes, como embolia pulmonar e parada cardíaca”, explica.
Durante o acompanhamento da rotina assistencial, foi possível identificar diferentes interpretações na aplicação dos critérios das escalas — um aspecto esperado em processos que envolvem julgamento clínico e múltiplos cenários assistenciais.
“A escala trabalha com fatores de risco que recebem pontuação. E, muitas vezes, esses fatores podem ser interpretados de formas diferentes entre profissionais ou setores. O objetivo foi justamente alinhar esse entendimento e padronizar a aplicação”, detalha.
Avaliação qualificada orienta intervenção precoce
Mais do que um registro, a avaliação de risco para TEV representa um instrumento clínico que orienta decisões e permite intervenções no tempo adequado.
“Quando o paciente é avaliado desde a admissão, conseguimos acompanhar esse risco diariamente e agir de forma antecipada. A partir dessa classificação, adotamos medidas para evitar a formação de trombos”, afirma Fernanda.
As intervenções podem ser realizadas por meio de estratégias medicamentosas ou mecânicas, conforme a condição clínica do paciente.
“Quando há indicação, utilizamos a profilaxia química, que atua diretamente no sistema vascular. E, quando há restrição, utilizamos recursos como a bota pneumática. O mais importante é garantir a intervenção no momento oportuno”, complementa.
Esse acompanhamento contínuo contribui para reduzir a ocorrência de complicações associadas ao TEV.
“Essa avaliação precoce permite identificar fatores de risco a tempo e atuar de forma mais segura, reduzindo a probabilidade de eventos graves”, reforça.
Enfermagem como elo estratégico na prevenção
Nesse processo, a enfermagem desempenha um papel central na vigilância clínica e na articulação do cuidado.
A partir da avaliação sistemática dos fatores de risco, a equipe contribui para decisões compartilhadas com a equipe médica e farmacêutica, fortalecendo a condução terapêutica.
“Quando identificamos um risco mais elevado, sinalizamos a equipe para iniciar as medidas de prevenção. Esse trabalho integrado permite uma resposta mais ágil e segura”, explica Fernanda.
O processo evidencia a importância do olhar clínico contínuo e da atuação técnica qualificada na prevenção de desfechos adversos.
Capacitação fortalece prática assistencial
Para os profissionais que atuam diretamente na assistência, o treinamento contribuiu para o refinamento da interpretação dos critérios clínicos utilizados na avaliação de risco.
A enfermeira Raimunda Josenir dos Santos Machado, da Unidade de Cuidados Intensivos (UCI), destaca que um dos pontos trabalhados durante a capacitação foi a análise da mobilidade do paciente dentro da escala — um critério que exige atenção ao contexto clínico no momento da avaliação.
“Aprendi que, mesmo que o paciente tenha mobilidade fora do leito, é preciso considerar como ele se encontra no momento da avaliação”, explica.
Na prática, esse alinhamento amplia a precisão da análise e fortalece a consistência do registro assistencial.
“É necessário avaliar o paciente diariamente e considerar todos os fatores de risco”, afirma.
A profissional também destaca o aprofundamento do olhar sobre o processo.
“Passei a entender que existe um conjunto de ações que precisam ser consideradas ao realizar a escala de TEV”, completa.
Segurança do paciente como prática estruturada
Ao promover a qualificação contínua da equipe e o alinhamento de práticas assistenciais, o Hospital Adventista de Belém reafirma seu compromisso com a segurança do paciente como um processo estruturado, baseado em protocolos, conhecimento técnico e melhoria contínua.
Porque, na assistência em saúde, decisões seguras começam com avaliações precisas.
E é nesse cuidado diário, atento e padronizado, que se constroem resultados mais seguros para o paciente.