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Higienização das mãos como estratégia para redução de infecções hospitalares

Higienização das mãos como estratégia para redução de infecções hospitalares

Treinamento fortalece práticas assistenciais e evidencia o papel estratégico da equipe de higienização na segurança do paciente.

Em um ambiente hospitalar, a segurança do paciente é construída a partir de uma rede de práticas que se conectam diariamente para garantir um cuidado seguro, humanizado e centrado na pessoa.

Antes mesmo do contato clínico, essa segurança começa nos processos que organizam o ambiente, orientam as rotinas e reduzem riscos ao longo da jornada assistencial. Entre essas práticas, a higienização das mãos se consolida como uma das estratégias mais eficazes para a prevenção de infecções hospitalares.

Mais do que um protocolo, trata-se de um compromisso contínuo com a vida — presente em diferentes etapas do cuidado e fundamental para a proteção de pacientes e profissionais.

Com o objetivo de fortalecer essa prática, o Hospital Adventista de Belém (HAB), por meio do Núcleo de Capacitação e Pesquisa (NCP), em parceria com o Núcleo de Segurança do Paciente e Qualidade (SCIRAS), promoveu um treinamento voltado aos colaboradores do setor de higienização.

A iniciativa integra as estratégias institucionais de qualidade e segurança, alinhadas à missão de servir, curar e salvar, e reforça o compromisso com um cuidado integral que considera não apenas o tratamento, mas toda a experiência do paciente.

Prevenção como base da segurança assistencial

Na prática hospitalar, a higienização das mãos atua diretamente na interrupção da cadeia de transmissão de microrganismos — um dos principais fatores relacionados às infecções associadas à assistência à saúde.

“A higienização das mãos tem um impacto direto na redução das infecções relacionadas à assistência à saúde, visto que interrompe a transmissão de microrganismos entre profissionais e pacientes. Na prática, observamos a redução das taxas de infecção, do tempo de internação e dos eventos adversos, garantindo mais segurança e qualidade no cuidado ao paciente”, explica a enfermeira Raquel Nogueira, do SCIRAS.

Ao reduzir riscos e contribuir para desfechos mais seguros, essa prática fortalece a confiança do paciente e qualifica sua experiência dentro do ambiente hospitalar.

Padronização e técnica como pilares do cuidado seguro

Durante o treinamento, foram reforçados os cinco momentos da higienização das mãos, além da execução correta da técnica, com atenção ao tempo adequado e à fricção de todas as superfícies.

A proposta é fortalecer a consistência da prática no dia a dia, garantindo que cada etapa seja realizada com precisão e consciência.

“Foram reforçados os cinco momentos da higienização das mãos e a técnica correta com todas as etapas, incluindo o tempo adequado e a fricção de todas as superfícies. Também enfatizamos a necessidade de adesão contínua e a consciência do impacto dessa prática na segurança do paciente”, destaca Raquel.

A padronização contribui para a redução de variabilidades na execução e fortalece a qualidade da assistência prestada.

Atenção aos pontos críticos da prática

Mesmo sendo amplamente incorporada à rotina assistencial, a higienização das mãos exige atenção contínua para garantir sua efetividade.

Entre os pontos de atenção, destacam-se a necessidade de respeitar o tempo mínimo recomendado — de 20 a 30 segundos com álcool 70% e de 40 a 60 segundos com água e sabão — e a compreensão de que o uso de luvas não substitui a higienização das mãos.

“São aspectos que precisam ser constantemente reforçados para garantir a segurança do paciente e a qualidade da assistência”, orienta a enfermeira.

O treinamento atua no alinhamento dessas práticas, promovendo maior rigor técnico e consciência no cuidado.

Quando o conhecimento fortalece a prática

Para os colaboradores da higienização, a capacitação amplia o entendimento sobre o impacto direto de suas atividades na segurança assistencial.

A colaboradora Flávia Soares, que atua em áreas críticas como a UTI Neonatal e Pediátrica, destaca a importância desse olhar no cotidiano.

“A experiência foi um aprendizado onde pude adquirir mais conhecimento. O que mais me chamou atenção foi a importância de manter a higienização das mãos para não transmitir bactérias, principalmente em setores como a UTI neonatal e pediátrica, onde os pacientes são mais sensíveis”, relata.

Segundo ela, o treinamento contribuiu para fortalecer a atenção contínua à prática.

“Hoje, tenho mais consciência sobre a necessidade de realizar a higienização das mãos com frequência e de forma correta, considerando os riscos presentes no ambiente hospitalar”, afirma.

Higienização como parte do cuidado integral

Ao garantir ambientes seguros e adequados para a assistência, os profissionais da higienização desempenham um papel essencial no cuidado integral à saúde.

“A importância do nosso trabalho é manter o ambiente limpo e higienizado para evitar a transmissão de bactérias ou doenças, principalmente porque muitos pacientes são bebês e crianças”, destaca Flávia.

Esse cuidado também se estende ao ambiente educativo, ao envolver pacientes e acompanhantes em práticas de prevenção.

“Também passei a orientar as mães sobre a importância da higienização das mãos, porque muitas vezes elas não têm essa informação. Hoje, compartilho esse conhecimento com elas”, completa.

Ao integrar assistência e orientação, o cuidado ganha amplitude e contribui para a construção de um ambiente mais seguro para todos.

Cultura de segurança como compromisso institucional

Para o hospital, a capacitação contínua é uma estratégia essencial para fortalecer uma cultura de segurança sólida e compartilhada entre as equipes.

“A capacitação promove conscientização, padronização e responsabilização da equipe, estimulando o engajamento dos profissionais e criando um ambiente onde a segurança do paciente é prioridade”, reforça Raquel.

Ao investir em educação permanente, o Hospital Adventista de Belém reafirma seu compromisso com a excelência assistencial e com a construção de uma experiência de cuidado segura, humanizada e centrada na pessoa — onde cada prática, por mais simples que pareça, contribui diretamente para proteger e preservar vidas.