Produção científica ganha espaço no Simpósio de Nutrição do HAB
Tarde do primeiro dia reuniu apresentação de trabalhos e debates sobre a jornada do paciente crítico e os riscos associados a medicamentos relacionados ao GLP-1.
Da humanização das dietas pediátricas ao cuidado nutricional durante o envelhecimento, cinco trabalhos científicos abriram a programação da tarde do primeiro dia do II Simpósio de Nutrição Hospitalar do Hospital Adventista de Belém (HAB), realizado nesta quinta-feira (27). A sessão reuniu estudos e relatos de experiência sobre desafios presentes na rotina assistencial e mostrou diferentes caminhos para transformar observações do cuidado em conhecimento compartilhado.
Com o tema “Conexão no Cuidado: a Nutrição integrando saberes para um atendimento seguro e humanizado”, o simpósio criou um espaço para que autores apresentassem experiências relacionadas à alimentação hospitalar, à assistência pediátrica, à prevenção da perda muscular e à continuidade do cuidado.
Conhecimento que parte da prática
Foram apresentados os seguintes trabalhos:
• Humanização das dietas pediátricas por meio da gastronomia hospitalar: relato de experiência em um hospital público de Belém, Pará. Autores: Erica Queiroz Valente; Alicia Gleides Fontes Gonçalves; Paola Caroline Lima dos Santos; Adriane Cristina Souto dos Santos; Kátia Sibele de Freitas Cabral.
• Evolução clínica e nutricional de paciente pediátrico com cardiopatia congênita e síndrome de Down internado em hospital de referência cardiológica em Belém-PA: estudo de caso. Autores: Evely dos Santos Gomes; Socorro de Nazaré Almeida Barbosa.
• Estratégias nutricionais na prevenção da sarcopenia associada ao envelhecimento: relato de experiência. Autores: Getúlio José do Carmo Neves Neto; Leonardo Barbosa Guerreiro; Maria Fernanda Cidade Lobato; Ranna Marcelly Soares Balieiro Neves; Yasmin Pâmela Feitosa Aguiar.
• Inclusão de plantas alimentícias não convencionais no cardápio de uma Unidade de Alimentação e Nutrição Hospitalar. Autores: Erica Queiroz Valente; Andrea Maria Larissa Silva da Silva.
• Ações de educação alimentar e nutricional como ferramenta para continuidade do cuidado: experiência com pacientes e acompanhantes em hospital de referência em Belém-PA. Autores: Carlos Daniel de Paiva Rodrigues; Ana Beatriz de Almeida Gonzaga; Izabella Syane Oliveira Pereira; Raissa Cecília Rosalino Guimarães; Claudia Daniele Tavares Dutra Oliveira.
Para Jorvana Stanislav, nutricionista do HAB, a apresentação dos trabalhos amplia a circulação do conhecimento e aproxima estudantes e profissionais dos desafios presentes na assistência. “Os estudos promovem a disseminação de conhecimentos científicos, experiências e estratégias que podem ser aplicadas e adaptadas à realidade dos serviços de saúde da nossa região”, destacou.
Segundo Jorvana, a troca também oferece aos acadêmicos uma experiência de escrita científica e evidencia possibilidades de atuação nas áreas clínica e de produção de alimentos. Ao considerar a cultura regional, os hábitos alimentares e as particularidades da população amazônica, os estudos aproximam as evidências da realidade local. “Essa aproximação permite que a assistência seja mais individualizada, respeitando aspectos culturais e alimentares dos pacientes, sem deixar de lado as recomendações científicas”, afirmou.
Da fase aguda à reconstrução
Depois da apresentação dos trabalhos, o médico Edgar Brito conduziu a palestra “Jornada do Paciente Crítico”. Ele explicou que as necessidades nutricionais mudam conforme o paciente atravessa diferentes momentos da internação e da recuperação.
“Na fase aguda, o desafio é iniciar o suporte nutricional, escolhendo a melhor via. Quando o paciente entra na recuperação, temos maior liberdade para ampliar o aporte calórico e proteico. Na fase de reconstrução, trabalhamos a reabilitação funcional e a recuperação global”, explicou.
A divisão em fases ajuda a compreender por que o cuidado nutricional não permanece igual durante toda a internação. O planejamento precisa acompanhar a evolução clínica e ser construído com os demais profissionais envolvidos na assistência.

Uso de medicamentos relacionados ao GLP-1 exige acompanhamento
Na sequência, a nutróloga Giselle Cerejo abordou os riscos associados ao uso de medicamentos relacionados ao GLP-1, que se tornaram mais conhecidos nos últimos anos. A médica chamou atenção principalmente para o uso sem indicação clínica, o aumento de doses sem orientação e a ausência de acompanhamento profissional.
“Temos riscos de alterações metabólicas, perda de massa muscular e pancreatite, que é uma das complicações mais graves. Por isso, o acompanhamento não deve ser apenas médico. Precisamos de nutricionista, endocrinologista e de toda uma equipe atuando para alcançar melhores resultados”, afirmou.
Segundo Giselle, sintomas como náuseas, vômitos, constipação e diarreia podem dificultar a alimentação durante o tratamento. Nessas situações, o acompanhamento nutricional contribui para ajustar a oferta de calorias, proteínas, carboidratos, gorduras, vitaminas e minerais, além de ajudar a prevenir desnutrição e perda importante de massa muscular.

Um campo profissional a conhecer
Para o nutricionista Luiz Oliveira, que atua em Unidade de Alimentação e Nutrição (UAN) e na área clínica, o simpósio representou uma oportunidade de ampliar conhecimentos em um campo no qual pretende se aprofundar. Na percepção dele, eventos voltados especificamente à Nutrição Hospitalar ainda são pouco frequentes na região.
“Participar de simpósios, congressos, pós-graduações e outros eventos dessa área ajuda a enriquecer os conhecimentos”, relatou. A palestra de Edgar Brito foi a que mais chamou sua atenção, especialmente por abordar o cuidado ao paciente no leito, a preservação muscular e a recuperação funcional.

O participante também destacou que a integração entre Nutrição, Fonoaudiologia, Fisioterapia e Medicina permite reconhecer necessidades diferentes e contribuir para a melhora e a alta do paciente.
O primeiro dia terminou com o sorteio de brindes entre os participantes. Ao aproximar produção científica, experiência clínica e desenvolvimento profissional, a programação da tarde mostrou como o conhecimento compartilhado pode retornar à assistência em forma de decisões mais seguras e de um cuidado construído em conjunto.
Veja os melhores momentos!