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Leite materno é fonte de cura para bebês no CETIN

Leite materno é fonte de cura para bebês no CETIN

No Agosto Dourado, histórias de mães e a atuação da equipe multiprofissional do Centro de Terapia Intensiva Neonatal (CETIN), da Unidade Belém da Adventist Health, mostram como o aleitamento materno é essencial para a recuperação de prematuros extremos.

Nenhuma mãe sonha em ver o filho nascer e seguir direto para a UTI Neonatal. Mas foi assim com Renata e Lidiane. No lugar do colo, estavam as incubadoras. No lugar do silêncio do lar, os sons dos monitores. Entre medos e esperanças, elas descobriram no leite materno a chave para devolver vida e saúde aos seus bebês.

Na Unidade Belém da Adventist Health, o Centro de Terapia Intensiva Neonatal (CETIN) acolhe mães e prematuros em um ambiente de cuidado humanizado. A equipe multiprofissional atua lado a lado com as famílias desde o primeiro toque, oferecendo apoio emocional e técnico para que o leite materno esteja presente em todas as fases da internação. Cada detalhe da rotina — da ordenha às práticas de humanização — é pensado para aproximar mãe e bebê até o momento mais esperado: a amamentação no peito, condição essencial para a alta hospitalar.

Quando a maternidade começa na UTI

Renata Pires, 26 anos, mãe do pequeno Sebastian, viu sua rotina mudar de forma inesperada. O bebê nasceu em Parauapebas, no sétimo mês gestacional, e precisou ser transferido para a Unidade Belém da Adventist Health devido a um quadro de prematuridade extrema. Foram mais de 60 dias de internação no CETIN até a alta. Enquanto permanecia em Belém, Renata também lidava com a saudade do filho de 4 anos, que ficou em Parauapebas sob os cuidados da família.

“No começo, foi muito difícil não poder pegar meu filho no colo, não ser a primeira a dar banho ou a amamentar. Mas quando ele começou a receber meu leite, mesmo pelas sondas, percebi como a recuperação dele foi acontecendo pouco a pouco. Cada vez que conseguia mamar, ele ganhava mais força. O leite materno foi, de fato, a fonte de cura do Sebastian. Ver o carinho e o cuidado da equipe trouxe conforto e confiança”, recorda.

Já Lidiane Oliveira, 38 anos, também de Paraupebas, enfrentou a internação devido à pré-eclâmpsia ainda durante a gestação. Seu filho Benjamin nasceu com 29 semanas. Assim que veio ao mundo, a médica apenas o mostrou rapidamente e logo anunciou: “vamos descer com ele para a UTI”. O choque foi imediato. Ela sonhava com uma gestação até os nove meses e em levar o bebê para casa, mas ele nasceu prematuro, com os pulmões ainda imaturos, precisando de ajuda para respirar. Hoje, Benjamin está estável e aguarda a alta.

“O medo foi o sentimento mais forte no início. Ele nasceu com apenas 785 gramas, tão pequenininho, entubado, cheio de fios. Enquanto ele estiver internado, o medo não passa. Mas cada vez que recebe meu leite pela sonda, eu vejo que reage melhor. O leite materno tem dado forças para ele ganhar peso. Ainda falta mamar exclusivamente no peito para receber a tão sonhada alta, mas cada pequeno progresso renova minha fé de que tudo vai dar certo”, conta.

O que diz a ciência sobre leite materno em prematuros

Estudos científicos comprovam que o leite materno tem efeitos decisivos na recuperação de bebês prematuros.

  • Composição sob medida para a idade gestacional: O leite da própria mãe de prematuros traz nutrientes e bioativos ajustados à imaturidade do bebê; é a base preferencial da nutrição, podendo necessitar de fortificação para garantir ganho de peso e crescimento adequados.
  • Proteção contra infecções e NEC (Enterocolite Necrosante): O leite humano reduz significativamente o risco de enterocolite necrosante e de sepse tardia, duas das complicações mais graves em prematuros.
  • Melhor desenvolvimento neurológico: A oferta predominante de leite humano está associada a melhores resultados no desenvolvimento neurocognitivo, quando comparada ao uso de fórmula.
  • Tolerância alimentar e avanço de dieta: O leite materno é digerido mais rapidamente que a fórmula, favorecendo a tolerância e permitindo avanço mais seguro da dieta enteral até o bebê estar pronto para mamar no peito.

Essas evidências explicam por que, no CETIN da Unidade Belém, cada gota de leite materno — mesmo quando oferecida pela sonda — funciona como um verdadeiro “remédio”, capaz de proteger o intestino, reduzir infecções, sustentar o crescimento e preparar o bebê para o momento mais esperado: mamar diretamente no peito da mãe e, assim, conquistar a alta hospitalar.

O leite como remédio

Se a ciência confirma o poder do leite materno, no dia a dia da UTI são os profissionais que transformam esse conhecimento em cuidado real. Médicos, enfermeiros, técnicos e fisioterapeutas trabalham lado a lado com as mães para que cada bebê tenha acesso ao leite materno desde os primeiros dias de vida. É um esforço coletivo que envolve orientação, estímulo e humanização, até que a amamentação no peito se torne possível.

Cada orientação tem como objetivo aproximar o bebê do momento da amamentação, destaca a médica pediátrica e coordenadora clínica Dra. Cecília Moura, que atua há mais de 30 anos na instituição:

“O leite materno é fundamental para a recuperação dos prematuros. Ele é feito sob medida para cada idade gestacional. Mesmo que seja apenas algumas gotas no início, esse leite é de enorme importância para o bebê.”

A enfermeira Cristiane Cunha, especialista em UTI Pediátrica e Neonatologia e com 14 anos de experiência na instituição, ressalta que a ansiedade das mães é um desafio, mas também uma oportunidade de cuidado:

“Muitas vezes, a mãe olha para o colostro e acha fraquinho, mas explicamos que é a primeira vacina do bebê, cheio de anticorpos. Cada 1 ml é comemorado como uma vitória. Aqui no CETIN, só não amamenta quem realmente não pode. Toda a equipe está voltada para o incentivo ao aleitamento. Humanização não é só um termo bonito, é prática diária”, ressalta Cristianne.

Marileia Serra, fisioterapeuta com 9 anos de atuação no CETIN, evidencia a importância do contato pele a pele entre mãe e bebê.

“O colo é sempre um momento marcante. Promove troca de calor, ajuda a regular a respiração do bebê e libera ocitocina na mãe, o hormônio do amor. Quando acontece, a resposta é imediata e transformadora.”

Já a técnica de enfermagem Débora Costa, que soma mais de 20 anos de dedicação ao CETIN, traduz em emoção o momento em que o bebê finalmente consegue mamar no peito:

“Quando finalmente vemos aquele bebê sugando no peito, de forma exclusiva, é uma emoção imensa. É uma vitória para todos nós, porque sabemos que o leite materno foi o que sustentou aquela vida até ali.”

Rede de apoio além do cuidado clínico

Para muitas mães, a experiência da prematuridade é marcada não apenas pelos desafios médicos, mas também pela distância. Vindas de outros municípios, elas deixam filhos, maridos e familiares para acompanhar de perto a recuperação dos bebês. Nesse cenário, a equipe multiprofissional do CETIN ultrapassa o papel técnico e se torna também um apoio emocional fundamental.

Foi assim com Lidiane, que deixou a filha de 4 anos em Parauapebas e enfrentou sozinha a internação em Belém. Longe da família e dos amigos, ela encontrou na equipe a força necessária para atravessar os dias de incerteza.

“Não cuidam só dos bebês, cuidam das mães também. Muitas vezes, quando percebem que não estamos bem, perguntam se estamos nos alimentando direito, se a produção de leite está regular, se conseguimos descansar. Trabalham muito o nosso emocional — e isso é fundamental”, compartilha.

Essa percepção também é confirmada pelas profissionais de enfermagem, que estão lado a lado das mães em cada etapa do processo. A enfermeira Cristiane lembra que o primeiro passo é sempre acolher e orientar, porque não é apenas o bebê que precisa de cuidado:

“Não acolhemos só o bebê, apoiamos também os pais e a família que acompanha, porque todos precisam desse suporte.”

A técnica de enfermagem Débora reforça que, muitas vezes, o cuidado vai além dos procedimentos:

“Até nossas palavras curam. Confortam as mães, acalmam os bebês. É gratificante participar dessa missão de servir com cuidado e amor.”

Na prática, o que se constrói é uma rede de confiança que sustenta mães e famílias em um momento de fragilidade. A presença, a escuta e o acolhimento fazem com que a assistência do CETIN seja vivida não apenas como tratamento clínico, mas como experiência de cuidado integral.

Humanização em cada detalhe

Na UTI Neonatal, até o espaço físico se transforma em instrumento de cuidado. Ao lado das incubadoras, uma simples cadeira ganha um significado profundo: é o lugar onde a mãe pode permanecer próxima ao bebê, mesmo quando o contato físico ainda não é possível. Sentada ali, ela fala baixinho, canta, respira perto. E o bebê, mesmo envolto em fios e aparelhos, reconhece a voz e o ritmo da respiração materna.

Do outro lado do setor, a sala de descanso das mães também carrega uma simbologia especial. Ali, o tempo parece se estender entre uma ordenha e outra, entre os cuidados e as visitas ao leito. É o lugar onde as mães compartilham suas dores, suas inseguranças e também suas vitórias. Uma dá força para a outra, e juntas constroem uma rede de cumplicidade que só quem passa pela experiência da prematuridade é capaz de entender. É ali que elas descansam, recarregam a fé e encontram momentos de espiritualidade — nos estudos bíblicos e palavras de esperança levadas pelo capelão. Mais do que uma sala, o espaço se torna refúgio: de descanso, de acolhimento, de renovação.

Vínculo que cura

Entre os recursos de humanização, o método canguru é talvez o mais simbólico. No contato pele a pele, a mãe acolhe o bebê sobre o peito e empresta o calor do seu corpo para regular a temperatura, o ritmo da respiração e até os batimentos cardíacos. Ao mesmo tempo, o hormônio do amor, a ocitocina, é liberado no corpo materno, fortalecendo a produção de leite. Para o bebê, cada minuto no colo é um passo a mais rumo à recuperação; para a mãe, é a confirmação de que sua presença é parte essencial do tratamento.

Outro gesto de cuidado é a redinha, posicionada dentro da incubadora. Pequena e delicada, ela reproduz a sensação do útero, oferecendo conforto, segurança e a postura correta para o desenvolvimento do prematuro. É um balanço suave que acolhe e tranquiliza, lembrando que, mesmo fora do ventre, aquele bebê continua envolto por camadas de amor e proteção.

Cada gota, uma vitória

No CETIN da Unidade Belém da Adventist Health, cada gota de leite é mais que alimento: é remédio, é vínculo, é fé. É no calor desse gesto simples e sagrado que a vida se fortalece, que mães encontram esperança e que bebês transformam fragilidade em vitória. Neste Agosto Dourado, as histórias de Renata e Lidiane lembram que o amor materno, traduzido em leite, é a cura mais poderosa que existe.

Para ver de perto momentos de afeto e cuidado vividos no CETIN durante o Agosto Dourado, acesse a galeria completa de fotos no link abaixo:

https://photos.app.goo.gl/AHkbCigfXUNJziQJ9