Hospital Adventista de Belém investe em treinamento estratégico para qualificar resposta à emergência pediátrica
Capacitação em RCP (Ressuscitação Cardiopulmonar) Pediátrica atualiza equipes do Hospital Adventista de Belém e reforça compromisso com segurança e excelência assistencial.
A mãe chega apressada. O pai segura o filho nos braços. A criança, de pouco mais de um ano, respira com dificuldade. O corpo parece mais mole do que deveria. O olhar já não acompanha o movimento ao redor. Na porta do pronto-atendimento, o tempo muda de ritmo.
Enquanto os pais tentam entender o que está acontecendo, uma equipe precisa agir — rápido, coordenada, segura. Em situações como essa, cada segundo tem peso clínico. E cada decisão pode definir o desfecho.
É exatamente para momentos assim que o Hospital Adventista de Belém tem investido na atualização contínua de seus profissionais.
Nos dias 19 e 24, no Auditório Irineu Stabenow, médicos, enfermeiros e fisioterapeutas participaram do treinamento “Atendimento Inicial da Criança com Parada Cardiorrespiratória, com base nas Diretrizes AHA 2025”, reforçando protocolos, ajustando técnicas e aprimorando a resposta multiprofissional diante de emergências pediátricas.




(Foto: ASCOM/AH Belém)
Atualização que salva vidas
Entre as principais mudanças apresentadas estão a técnica preferencial dos dois polegares para compressão em lactentes e a ênfase na ventilação adequada, pontos que impactam diretamente na sobrevida infantil.

A pediatra e emergencista Rafaela Dias Neves, que conduziu a capacitação, explica que as atualizações não são apenas ajustes técnicos — elas representam avanço em desfechos reais.
“As novas diretrizes AHA 2025, com a técnica dos dois polegares em lactentes e ênfase na ventilação precisa, elevam a sobrevida infantil em até 20-30% na parada cardiorrespiratória. Na prática, isso significa compressões torácicas mais profundas e eficazes, dobrando o fluxo sanguíneo coronário e cerebral, enquanto a ventilação otimizada previne uma baixa de oxigênio fatal.”
Mais do que saber executar, é preciso reconhecer o momento certo de agir.
No cenário simulado durante o treinamento, um lactente com bradicardia grave — frequência cardíaca inferior a 60 batimentos por minuto — exigia início imediato de RCP, antes mesmo da assistolia.
“Segundos fazem a diferença entre reanimação bem-sucedida e sequelas graves. No Hospital Adventista de Belém, treinamos a equipe para monitorar e agir instantaneamente, transformando bradicardia em ritmo cardíaco viável com compressões e ventilação precisa”, destaca a médica.
Técnica que sustenta o emocional
Atender uma criança em parada cardiorrespiratória mobiliza toda a equipe. O impacto emocional é inevitável. O preparo técnico, porém, se torna a âncora.
“O controle emocional não significa frieza, mas a capacidade de não paralisar diante da gravidade da situação. Quando a equipe domina as diretrizes e têm o treinamento prático enraizado na memória muscular, o cérebro não precisa gastar energia tentando lembrar o que fazer em meio ao caos; ele foca na execução perfeita. A técnica traz clareza mental”, reforça Dra. Rafaela.
Durante as simulações, erros comuns foram identificados e corrigidos — ventilação excessivamente rápida, compressões superficiais ou sem retorno total do tórax. Ajustes que, na prática, fazem diferença entre eficácia e risco.
Outro ponto crítico abordado foi o preparo da adrenalina pediátrica, que exige cálculo por peso e diluição correta.
“Quando unimos a diluição correta com a comunicação em alça fechada, garantimos que a dose exata chegue à veia da criança no tempo exato, eliminando ruídos e prevenindo eventos adversos num momento em que a margem para erro é zero.”

A força da atuação multiprofissional
No atendimento pediátrico de urgência, o cuidado é coletivo.
A fisioterapeuta Lizandra Moraes reforça que ventilação adequada exige precisão técnica e leitura clínica constante.
“Para evitar hipoventilação ou hiperinsuflação, a equipe precisa dominar o posicionamento correto do paciente, saber identificar parâmetros alterados de frequência cardíaca, respiratória e saturação, além de avaliar exames como gasometria quando necessário.”
Segundo ela, uma ventilação eficaz começa com máscara bem posicionada, oferta adequada de oxigênio e ritmo correto da manobra.
“É apertar, soltar, permitir o tempo adequado e reiniciar. Parece simples, mas sob estresse, a técnica precisa estar automatizada.”
Durante a simulação do Código Azul, a comunicação direta e objetiva fez diferença.
“A fisioterapia se integra ventilando da melhor forma possível, mas a comunicação precisa ser clara e concisa. Todos devem entender seu papel.”
Já para a enfermeira Cristiane Cunha, especialista em UTI Pediátrica e Neonatologia, com 14 anos de experiência na instituição, o reconhecimento precoce é determinante.
“O lactente pode apresentar taquicardia devido ao desconforto respiratório. Observamos saturação, cianose e risco de evolução para entubação. Quanto antes começamos a RCP, mais chances o lactente tem de sobreviver sem sequelas.”
A comunicação estruturada durante o preparo da medicação também foi destacada por ela.
“Em um momento de alto estresse, quem administra a medicação fala em voz alta o que está fazendo, o horário e quantas doses já foram feitas. Isso reduz erros e aumenta a segurança.”
Metodologia que transforma teoria em prontidão
O treinamento utilizou simulação realística com cenários progressivos: lactente que descompensa, criança maior em choque séptico, checklist estruturado e prática de comunicação em alça fechada.
Além das simulações práticas, os participantes responderam a um quiz avaliativo, reforçando a assimilação do conteúdo.
Para Rafaela, esse modelo faz toda a diferença.
“A simulação realística nos tira da teoria e constrói memória muscular para enfrentar o estresse do pronto-socorro. Ao treinar cenários práticos, automatizamos nosso checklist de ouro e a comunicação estruturada, reduzindo a carga de estresse na hora da crise. Diante de um paciente real, a tomada de decisão se torna rápida, instintiva e totalmente focada em salvar a criança.”
Participaram profissionais da enfermagem, fisioterapia e demais áreas assistenciais envolvidas no atendimento pediátrico, fortalecendo a integração entre setores e a cultura de resposta rápida.
Segurança que acolhe
Para pais e mães, o hospital é o lugar onde se deposita confiança quando o medo aparece.
Para o Hospital Adventista de Belém, essa confiança precisa ser sustentada por atualização científica, capacitação contínua e trabalho em equipe.
Treinar não é apenas revisar protocolo.
É garantir que, quando a porta do pronto-atendimento se abrir e uma criança precisar de ajuda, exista ali uma equipe preparada, alinhada e pronta para agir.
Porque, em emergência pediátrica, segundos importam.
E preparo salva vidas.
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