Auditoria e medicação segura fortalecem cultura de cuidado no Hospital Adventista de Belém
Treinamento conduzido pelo Núcleo de Capacitação e Pesquisa (NCP) reforça segurança assistencial, qualidade dos registros e consolidação do cuidado centrado na pessoa.
A segurança do paciente não começa no leito. Começa no registro.
Nos dias 18 e 25 de fevereiro, o Hospital Adventista de Belém realizou o treinamento “Auditoria de Prontuários e Administração Segura de Medicações”, conduzido pela enfermeira Fernanda Trindade, do NCP. A capacitação ocorreu em diferentes horários, permitindo ampla participação de enfermeiros e técnicos de enfermagem.
A proposta foi clara: fortalecer práticas assistenciais, reduzir riscos e consolidar uma cultura institucional orientada pela segurança e pela experiência do paciente.
Auditoria como ferramenta de qualidade
Ainda associada por alguns profissionais a um processo burocrático, a auditoria de prontuários tem papel estratégico dentro das instituições de saúde.
Para a enfermeira Fernanda Trindade, seu impacto é direto na assistência.
“A auditoria de prontuário vai muito além de burocracia. Quando bem estruturada, ela impacta diretamente a segurança do paciente, a qualidade assistencial e a sustentabilidade institucional. A auditoria verifica adesão a protocolos clínicos, diretrizes institucionais e metas internacionais de segurança que geram mais qualidade na assistência ao paciente.”
Na prática, isso significa identificar fragilidades, corrigir processos e garantir que cada etapa do cuidado esteja alinhada às boas práticas recomendadas por órgãos nacionais e internacionais de segurança do paciente.
Administração segura e responsabilidade em cada detalhe
Durante os dois dias de treinamento, a administração segura de medicamentos foi tratada como um dos pilares da assistência.
Erros de dose, via incorreta ou diluição inadequada estão entre os principais riscos preveníveis no ambiente hospitalar.
“Quando falamos em treinamento para administração segura de medicamentos, estamos atuando diretamente na prevenção de eventos adversos graves, como preparo e administração com diluição incorreta, dose ou via errada. Ao mesmo tempo, fortalecemos um modelo de cuidado centrado na pessoa”, destacou Fernanda.
Para Eulle Gonçalves Lobato, enfermeiro administrativo do CTI, o treinamento ampliou a percepção sobre a responsabilidade envolvida em cada etapa do processo.
“O que mais me chamou atenção foi a responsabilidade envolvida em cada etapa do processo medicamentoso e a importância do registro adequado como parte essencial da segurança do paciente. Muitas vezes, a administração é vista apenas como um ato técnico, mas envolve conferência criteriosa, checagem dos ‘certos’ e atenção redobrada aos detalhes.”
Registro que protege, comunica e fortalece o cuidado
A reflexão também se estendeu à auditoria de prontuários. Para Eulle, o registro deixou de ser percebido como obrigação burocrática e passou a ser compreendido como ferramenta de proteção.
“Um prontuário bem preenchido garante a qualidade da assistência, facilita a comunicação entre a equipe multiprofissional e reduz riscos para o paciente e para o profissional”, afirmou.
A relação entre registro seguro, administração correta e confiança do paciente também foi destacada por Eulle.
“Registros bem feitos e administração segura de medicamentos não são apenas exigências técnicas. São fundamentais para a segurança do paciente, a continuidade do cuidado e a credibilidade da equipe de enfermagem. Quando há coerência entre o que é feito e o que é registrado, o cuidado se torna mais consistente e profissional.”
Ele reforça ainda que a qualidade técnica impacta diretamente na percepção humana do cuidado.
“Segurança gera confiança. Quando o paciente percebe organização, conferência cuidadosa e explicação sobre o que está sendo administrado, ele se sente mais seguro, mais respeitado e mais confiante.”
Enfermagem no centro da experiência do paciente
No contexto da implantação da Cultura de Experiência do Paciente e do Cuidado Centrado na Pessoa, o papel da enfermagem se torna ainda mais determinante.
“Se a experiência do paciente é a percepção que ele constrói ao longo de toda a jornada, a enfermagem é quem mais influencia essa percepção, porque está presente 24 horas no cuidado. Registros seguros não são apenas exigência legal; são ferramenta de proteção do paciente”, reforçou Fernanda Trindade.
Avaliar, reavaliar e registrar corretamente cada intervenção é parte de um cuidado que protege, comunica e constrói confiança.
Segurança como prática institucional
Ao promover capacitações estruturadas e contínuas, o Hospital Adventista de Belém reafirma seu compromisso com um cuidado baseado em evidências e melhoria constante.
“Instituições que investem continuamente em qualificação mostram que a segurança não é discurso, é prática. O cuidado é baseado em evidência, e o erro é tratado como oportunidade de melhoria”, concluiu Fernanda.
Mais do que um treinamento técnico realizado nos dias 18 e 25 de fevereiro, a iniciativa reforça um posicionamento institucional: segurança é cultura. E cultura se constrói todos os dias — em cada registro, em cada conferência e em cada decisão tomada à beira do leito.