HAB leva saúde e dignidade à população em situação de rua durante ação nacional de cidadania
Participação do Hospital Adventista de Belém na 4ª Semana Nacional do Registro Civil reforça a missão institucional de servir, curar e salvar, levando assistência médica, acolhimento e esperança a pessoas em situação de vulnerabilidade social.
A população em situação de rua, em sua maioria, permanece invisível diante de direitos que deveriam ser universais, como saúde, assistência e cidadania. A falta de acesso contínuo a serviços básicos aprofunda a vulnerabilidade social e compromete a dignidade humana.
Nesse cenário, ser visto, ouvido e atendido com respeito também se torna uma forma de restaurar esperança. O cuidado integral vai além da assistência imediata. Ele representa acolhimento, pertencimento e a chance de reconstruir a própria história.
Foi com esse propósito que o Hospital Adventista de Belém (HAB) participou da 4ª Semana Nacional do Registro Civil – Registre-se!, promovida pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ). A instituição levou atendimento médico, encaminhamento para exames e acolhimento humanizado à população em situação de rua.

Mais do que integrar uma ação social, o hospital reafirmou sua missão de servir, curar e salvar. Isso também significa sair das paredes da instituição para alcançar aqueles que historicamente foram esquecidos pela sociedade. Levar saúde, nesse contexto, é também levar dignidade, escuta e esperança.
A ação, realizada em todo o país, busca ampliar o acesso à documentação básica e a serviços essenciais para pessoas em situação de vulnerabilidade social, especialmente população em situação de rua, povos indígenas, pessoas privadas de liberdade e comunidades quilombolas.
No Pará, os atendimentos aconteceram entre os dias 13 e 17 de abril. Uma das principais mobilizações foi realizada na Praça Dom Pedro II, em Belém, com foco prioritário no atendimento à população em situação de rua.
Cuidado que vai ao encontro da dor
A participação do HAB aconteceu a partir de um convite do Projeto Raízes, iniciativa vinculada ao Ministério Público e dedicada exclusivamente ao atendimento da população em situação de rua.
Para Rosário Melo, assistente social do Hospital Adventista de Belém, aceitar esse chamado foi uma resposta direta à essência da missão institucional.
“Esse público vive à margem da sociedade. Muitas vezes, além de não ter um lar, também não tem amor, afeto e dignidade. Nós buscamos levar saúde, mas também esperança. Porque o que a medicina não alcança, Jesus pode transformar e fazer uma mudança significativa na vida dessas pessoas”, afirma.
Segundo ela, mais do que assistência médica, o hospital oferece acolhimento, respeito e oportunidade de recomeço.
“O Hospital Adventista de Belém, através do trabalho do serviço social, aceitou esse desafio porque faz parte do nosso propósito de servir, curar e salvar, independentemente de raça, credo ou condição social.”


Amar ao próximo também é cuidado
A ação também representa, na prática, o princípio cristão do amor ao próximo.
Rosário destaca que atender pessoas em situação de rua exige mais do que estrutura: exige sensibilidade, empatia e ausência de julgamento.
“Essas pessoas chegam até nós muitas vezes sem higiene adequada, sem dignidade, e nós precisamos nos adaptar para atendê-las sem fazer nenhuma diferença, da mesma forma que atenderíamos uma pessoa em um consultório particular.”
Ela faz uma conexão direta com o exemplo deixado por Cristo.
“Jesus andava entre os leprosos, entre os doentes, e não fazia acepção de pessoas. Não existe demonstração maior de amor do que estar presente com essas pessoas, no meio delas, oferecendo cuidado e dignidade.”


Saúde além das fronteiras do hospital
Durante a ação, o HAB disponibilizou atendimento com médico generalista, pediatria e encaminhamentos para exames laboratoriais e de imagem, como ultrassonografia, eletrocardiograma, mamografia e raio-X.
A proposta foi garantir acesso à atenção primária e à prevenção, especialmente para pessoas que, em sua maioria, só conseguem atendimento em situações de urgência.
A médica generalista Carla Caggy reforça que o trabalho vai além da consulta imediata.
“Muitas vezes essas pessoas não têm acesso ao serviço que oferecemos. Aqui levamos um atendimento de qualidade, o mesmo que oferecemos dentro do hospital, com prevenção, exames e orientação.”
Segundo ela, mais de 20 exames podem ser solicitados, dependendo da necessidade clínica identificada.
“A gente se concentra na principal queixa do paciente, mas também faz um check-up completo. Trabalhamos com prevenção, com orientação e com o cuidado integral.”
Para a médica, a ação simboliza um movimento importante: sair da estrutura física do hospital e ir ao encontro de quem precisa.
“É trabalhar além das nossas fronteiras. É sair da estrutura física e ir até a rua atender esse paciente com a mesma qualidade e dignidade.”


O cuidado também alcança a alma
Em muitos casos, a maior necessidade não é apenas física.
A médica destaca que, por trás das queixas clínicas, há histórias marcadas por dependência química, abandono familiar e sofrimento emocional.
“Nem sempre a principal queixa é física. Muitas pessoas enfrentam dependência química, sofrimento emocional e abandono. Às vezes, quando temos oportunidade, até oramos com essas pessoas.”
Essa dimensão espiritual do cuidado é justamente o que diferencia a identidade da instituição.
Para Régis Coutinho, presidente em exercício da Federação dos Empreendedores Adventistas – Núcleo Belém, a presença do hospital fortalece a ação missionária da Igreja Adventista na região.
“O Hospital Adventista de Belém já é reconhecido como uma instituição que não oferece apenas cura física, mas principalmente cura espiritual.”
Para ele, essa presença torna a ação ainda mais completa.
“A presença do hospital faz com que o evento tenha ainda mais significado. A presença de Deus é sentida em cada atendimento, em cada pessoa alcançada.”
Dignidade começa pelo acesso
A 4ª Semana Nacional do Registro Civil busca garantir o primeiro passo para o exercício da cidadania: a documentação básica.
Segundo Conrado Rezende, presidente da Associação dos Cartórios de Registro Civil, sem esse acesso, o cidadão permanece invisível para o Estado.
“A certidão de nascimento é o primeiro documento da pessoa. Sem ela, ela não consegue emprego, atendimento e nem inclusão nas políticas públicas.”
Ele explica que a presença de diferentes instituições torna o atendimento mais completo e resolutivo.
“O Hospital Adventista é um parceiro importante para garantir dignidade e cidadania a essas pessoas que mais precisam.”
A mesma percepção é compartilhada pelo juiz auxiliar da Corregedoria Geral de Justiça do TJPA, André Filo-creaõ.
“Uma pessoa sem documento é invisível para o Estado. Sem essa documentação, ela não consegue acessar direitos básicos como saúde, educação e moradia.”
Para ele, a participação do HAB fortalece a qualidade da assistência prestada.
“Trazer uma instituição como o Hospital Adventista de Belém mostra que essas pessoas merecem atendimento de excelência. Isso revela empatia, responsabilidade social e compromisso verdadeiro com quem mais precisa.”

Quando a sociedade percebe
Entre os atendidos estava Sandra Moreira, de 69 anos, que chegou ao local inicialmente em busca de outra demanda, mas aproveitou a oportunidade para realizar encaminhamento para mamografia e exames laboratoriais.
Ela relata surpresa ao encontrar um hospital privado participando de uma ação social voltada especialmente à população vulnerável.
“Eu achei excelente. Pensei que fosse só atendimento da prefeitura, dos postos de saúde. Ver um hospital privado aqui foi muito importante.”
Para ela, a iniciativa demonstra responsabilidade social e cuidado genuíno.
“É muito válido, principalmente para as pessoas mais vulneráveis. Isso mostra responsabilidade social e cuidado com quem mais precisa.”
Servir, curar e salvar também é estar presente
Mais do que uma participação institucional, a presença do Hospital Adventista de Belém no Registre-se reafirma um compromisso histórico: levar cuidado onde ele é mais urgente.
Quando o hospital deixa seus corredores e se aproxima da dor real das ruas, ele fortalece não apenas sua reputação institucional, mas sua própria identidade.
Porque servir, curar e salvar não começa dentro de um consultório.
Começa quando alguém decide não ignorar quem foi esquecido.