Cuidar de quem cuida também é estratégia assistencial
XXX SIPAT do Hospital Adventista de Belém reforça que saúde mental, segurança psicológica e espiritualidade também fazem parte da excelência assistencial e da missão de servir, curar e salvar.
A Semana Interna de Prevenção de Acidentes (SIPAT) do Hospital Adventista de Belém (HAB), colaboradores se reuniram em um momento de louvor, oração e intercessão pelos pedidos apresentados por eles mesmos. O gesto, simples e profundo, traduziu aquilo que sustenta a cultura institucional: servir, curar e salvar também começa dentro de casa.

A SIPAT deste ano trouxe uma reflexão estratégica sobre um tema cada vez mais urgente no ambiente hospitalar: os riscos psicossociais e a saúde mental do trabalhador. Com foco na abrangência desses riscos na saúde e segurança ocupacional, o evento reforçou que cuidar de quem cuida não é apenas uma ação de acolhimento, mas uma decisão assistencial.

Quando o trabalhador adoece pelo que vive no trabalho
A palestra principal foi conduzida pela psicóloga organizacional Thayná Miranda, especialista em comportamento organizacional e habilitada na aplicação da NR-01, norma regulamentadora que passou a incluir a saúde mental como parte da gestão de riscos ocupacionais.
“Quando nós falamos de estratégia de prevenção, a gente se atenta para riscos ocupacionais. Na nova aplicação da NR-01 foi implementado o item de saúde mental. A saúde mental passou a ser muito mais analisada como parte de um ambiente saudável de trabalho”, explicou.
Historicamente voltada para riscos físicos, acidentes e segurança operacional, a NR-01 amplia agora o olhar para fatores que silenciosamente adoecem equipes: sobrecarga emocional, plantões exaustivos, conflitos interpessoais, liderança inadequada, assédio moral, comunicação agressiva e a chamada cultura de silêncio.
“Hoje, o trabalhador não adoece só pelo que faz, mas pelo que vive no trabalho”, destacou Thayná durante sua apresentação.
No contexto hospitalar, essa realidade se intensifica. O contato constante com dor, sofrimento, alta responsabilidade e decisões rápidas exige dos profissionais não apenas preparo técnico, mas também equilíbrio emocional.
“Quando a gente fala de ambiente de trabalho, a gente fala de pessoas, porque quem faz o ambiente são pessoas. No contexto da saúde, a gente se depara com contato constante com dor e sofrimento, seja por conta dos pacientes ou até mesmo pela empatia exacerbada”, afirmou a especialista.



Colaboradores da CIPA recepcionaram os participantes no hall de entrada do auditório Irineu Stabenow, localizado no 5º andar do prédio garagem do Hospital Adventista de Belém, durante a programação da XXX SIPAT. (Foto: ASCOM/HAB)
Onde há silêncio, há risco
Para Thayná, a forma como as relações se estabelecem dentro da instituição impacta diretamente não apenas o colaborador, mas também a experiência do paciente.
“Quando falamos de comunicação agressiva, cultura de silêncio e conflitos interpessoais, isso afeta diretamente a assistência. O paciente percebe quando algo está diferente. Ele reconhece quando aquele colaborador já não está bem emocionalmente. Isso impacta a confiança, o acolhimento e até a forma como ele enfrenta o próprio tratamento”, explicou.
Uma das frases mais marcantes da palestra sintetizou esse alerta: “Onde há agressividade, há silêncio. E onde há silêncio, há risco.”
Para Ítalo Basílio, engenheiro de Segurança do Trabalho do HAB, a atualização da NR-01 fortalece uma visão mais ampla e preventiva da segurança institucional.
“Com a atualização da NR-01, os riscos psicossociais passam a ser reconhecidos formalmente como riscos ocupacionais. Isso significa identificar, avaliar e controlar fatores como estresse, sobrecarga de trabalho, assédio e clima organizacional, incorporando esses aspectos ao Programa de Gerenciamento de Riscos”, explicou.
Segundo ele, essa mudança contribui diretamente para a prevenção de adoecimentos mentais, melhora o ambiente de trabalho e fortalece a qualidade assistencial.



Integrantes da Comissão Interna de Prevenção de Acidentes e Assédio (CIPA) deram as boas-vindas aos colaboradores no hall de entrada do auditório Irineu Stabenow, no 5º andar do prédio garagem do Hospital Adventista de Belém, durante a abertura da XXX SIPAT. (Foto: ASCOM/HAB)
A segurança também está na forma como nos relacionamos
“Profissionais que atuam em um ambiente seguro, com apoio institucional e abertura para comunicação tendem a apresentar melhor desempenho, maior engajamento e menor propensão a erros. Isso reflete diretamente na experiência do paciente, tornando o atendimento mais seguro, humanizado e eficiente”, afirmou Ítalo.
A técnica de segurança do trabalho Luciana Nascimento reforça que muitos riscos não estão apenas nos protocolos assistenciais, mas também nas relações cotidianas.
“Estresse, sobrecarga de trabalho, horários estendidos, conflitos interpessoais, imprudência e improvisos são fatores que geram riscos silenciosos. Muitas vezes, o problema não está apenas na falta de diálogo, mas na forma como as coisas são ditas”, pontua.
Para ela, criar espaços seguros de fala fortalece a confiança e melhora o clima organizacional.
“Pessoas confiantes, felizes e que se sentem seguras trabalham melhor. Isso melhora o ambiente, aumenta o rendimento e faz com que o colaborador tenha motivação para estar ali e realizar bem sua função.”


Servir, curar e salvar também começa dentro de casa
Mais do que um evento pontual, a SIPAT reflete uma cultura contínua de cuidado. No Hospital Adventista de Belém, as RMMs realizadas semanalmente — com momentos de louvor, oração e reflexão bíblica — reforçam que o bem-estar emocional e espiritual do colaborador faz parte da estratégia institucional.
Esse olhar fortalece não apenas o employer branding e a retenção de talentos, mas também a própria excelência assistencial. Afinal, o cuidado centrado na pessoa começa antes do leito.
“Para que o colaborador possa cuidar do paciente de uma forma excelente, ele também precisa ser cuidado de uma forma excelente”, resume Thayná.
No HAB, essa não é apenas uma mensagem de campanha.
É cultura.
É estratégia.
É missão.
Porque prevenir riscos também é salvar vidas — inclusive a nossa.