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Comunicação como competência de liderança conduz terceiro módulo do PDL

Comunicação como competência de liderança conduz terceiro módulo do PDL

Gestores dos Hospitais Adventistas de Belém e Barcarena participaram de uma formação sobre tomada de decisão, gestão de crises, feedback, relacionamentos e clareza na condução das equipes.

Entre uma decisão tomada pela liderança e a ação executada pela equipe existe uma etapa decisiva: a comunicação. Quando uma orientação não apresenta com clareza o contexto, as responsabilidades ou o resultado esperado, surgem dúvidas, retrabalho e dificuldades que podem afetar os relacionamentos e os processos institucionais.

Para desenvolver essa competência entre os gestores, os Hospitais Adventistas de Belém e Barcarena realizaram, no dia 19 de agosto, o terceiro módulo do Programa de Desenvolvimento de Liderança (PDL). Com o tema “Comportamento, relacionamento e comunicação”, a programação reuniu reflexões sobre tomada de decisão, autoliderança, inteligência emocional, gestão de conflitos, feedback, comunicação escrita e gestão de crises.

O módulo deu continuidade a um percurso iniciado com discussões sobre missão, valores e pertencimento e, posteriormente, aprendizado e desenvolvimento contínuo. Segundo a assessora de Recursos Humanos dos Hospitais Adventistas de Belém e Barcarena, Quiraele Erica Santana, a nova etapa levou aos participantes ferramentas para conduzir pessoas.

“Os dois primeiros módulos alinharam o porquê e o quê da liderança: propósito, papel e expectativas institucionais. Este terceiro módulo entra com o como. Agora que o líder sabe onde precisa chegar, aprende a conduzir pessoas até lá com comportamento coerente, relacionamento saudável e comunicação clara”, explica.

Comunicação que alcança pessoas e processos

A escolha do tema partiu de situações observadas na rotina das lideranças, como ruídos de comunicação, dificuldades para oferecer e receber feedbacks, conflitos entre equipes ou turnos, formação de barreiras entre setores e desafios para administrar as próprias emoções em momentos de pressão.

Para Quiraele, competências técnicas não são suficientes quando o gestor encontra dificuldades para construir relações e orientar a equipe. “Um líder pode ser tecnicamente bom, mas, se não se comunica e não se relaciona, trava a equipe inteira.”

Em uma instituição de saúde, as consequências também podem alcançar a assistência. Por isso, o programa trabalhou a comunicação a partir de três dimensões: o clima organizacional, a segurança e a colaboração entre as áreas.

“Uma falha de comunicação não é apenas um problema de relacionamento; é um risco assistencial e institucional. Ambientes com respeito e transparência têm menos rotatividade e mais produtividade. Além disso, a comunicação eficaz melhora a colaboração e o fluxo assistencial”, destaca a assessora de Recursos Humanos.

Preparação antes da crise

A relação entre liderança, comunicação e gestão de crises foi abordada pelo departamental de Comunicação da União Norte Adventista, Heron Jandy Santana. Durante a palestra, ele mostrou que a atuação da liderança começa antes que uma situação crítica alcance grandes proporções.

“Na prevenção, a liderança precisa ser um radar: ouvir as bases, mapear vulnerabilidades e antecipar cenários antes que eles virem notícias. Já na condução, o líder é a âncora. Ele traz a calma necessária para o time, centraliza as decisões estratégicas e garante que a resposta seja firme, mas sempre guiada pelos valores e pela verdade”, afirma.

Segundo Heron, o silêncio prolongado, a especulação e a descentralização das informações estão entre as falhas capazes de ampliar a repercussão de uma crise. Quando a instituição demora a se posicionar, o espaço deixado pela ausência de informações pode ser ocupado por boatos e versões de terceiros.

A preparação envolve a definição prévia dos fluxos, das responsabilidades, dos integrantes do comitê de crise e dos porta-vozes autorizados. Também exige canais seguros para que os profissionais comuniquem incidentes à liderança, além de treinamentos e simulações que preparem as equipes para responder com agilidade e responsabilidade.

“Não podemos confundir agilidade com pressa descontrolada, nem transparência com exposição irresponsável. É preciso dizer a verdade com base no que já foi apurado e colocar o cuidado com as pessoas em primeiro lugar”, ressalta Heron.

Feedback como instrumento de desenvolvimento

Outro conteúdo trabalhado no módulo foi a importância do feedback para o desenvolvimento dos profissionais. A discussão contou com a participação do Recursos Humanos e do Jurídico, aproximando a orientação às equipes da necessidade de registrar adequadamente o acompanhamento realizado pelas lideranças.

De acordo com o assessor jurídico dos Hospitais Adventistas de Belém e Barcarena, Guilherme Rodrigues, o feedback ajuda o colaborador a compreender o que a instituição espera de sua atuação, reconhecer os pontos que precisam ser aprimorados e acompanhar o próprio desenvolvimento. Quando conduzido e documentado adequadamente, também oferece maior segurança às decisões institucionais.

“A aplicação adequada do feedback permite que o colaborador tenha consciência do que se espera dele e até onde conseguiu alcançar”, explica. Para Guilherme, a parceria entre RH e Jurídico contribui para que os gestores compreendam a importância dessa prática e mantenham os registros necessários.

A supervisora de Nutrição Camyla Melém identificou na programação oportunidades para aperfeiçoar a comunicação nas orientações, nos feedbacks e nas mudanças de processos realizadas com a equipe.

“Percebi a importância de tornar minha comunicação cada vez mais clara, objetiva e assertiva, principalmente em situações que envolvem cobranças, mudanças de processos e alinhamentos. Também identifiquei a necessidade de adaptar a forma de comunicar de acordo com cada situação e com o perfil do colaborador”, relata.

Na prática, Camyla pretende ouvir antes de chegar a conclusões, apresentar os fatos de forma objetiva, esclarecer o comportamento esperado e direcionar as conversas para a construção de soluções. Para a supervisora, uma comunicação mais clara reduz falhas de entendimento, retrabalho e conflitos, além de oferecer mais segurança para que cada profissional compreenda suas responsabilidades.

Escrever para gerar ação

A jornalista Laina Sagica, da Assessoria de Comunicação dos Hospitais Adventistas de Belém e Barcarena, ministrou o workshop “Escrever para gerar ação — Clareza, precisão e estratégia na comunicação da liderança”. Com trajetória profissional em comunicação institucional, instituições públicas, comunicação política, terceiro setor e saúde, Laina mostrou como a escrita pode apoiar a gestão, orientar decisões e tornar responsabilidades, ações e prazos mais claros.

Por meio de situações inspiradas na rotina corporativa e hospitalar, os participantes refletiram sobre o planejamento das mensagens, o uso adequado dos canais institucionais e a importância de organizar as informações para reduzir dúvidas, retrabalho e riscos. O conteúdo também reforçou que uma comunicação escrita é bem-sucedida quando produz a resposta esperada no tempo necessário.

Liderança que repercute no cuidado

Ao desenvolver competências relacionadas ao comportamento, aos relacionamentos e à comunicação, o PDL busca construir ambientes com mais escuta, respeito, clareza e segurança psicológica. A expectativa é que líderes mais preparados para administrar emoções, oferecer feedback e resolver conflitos contribuam para equipes mais engajadas e processos mais integrados.

Os resultados também podem ser percebidos por quem procura os hospitais para receber cuidado. Quando as equipes compreendem as orientações, compartilham informações com clareza e trabalham de forma colaborativa, o fluxo assistencial se torna mais seguro e organizado.

“Quando as equipes se comunicam melhor, os erros provocados por ruídos diminuem e o paciente percebe uma experiência mais acolhedora e confiável”, conclui Quiraele.