Como um hospital de 73 anos sustenta uma missão que ultrapassa seus muros
O Hospital Adventista de Belém conecta espiritualidade, cuidado e responsabilidade social em uma trajetória marcada por impacto dentro e fora de suas paredes.
Muito além da assistência, a missão de servir, curar e salvar se manifesta onde a presença se torna essencial — especialmente nos espaços em que a vulnerabilidade exige mais do que técnica. Exige compromisso.
Esse propósito ganha forma em gestos concretos. Entre março e abril, campanhas de doação de sangue e arrecadação de alimentos mobilizaram colaboradores e transformaram intenção em ação. É nesse cenário que doar deixa de ser um ato isolado e passa a ser linguagem: compartilhar a própria vida para sustentar a de outro.
Compartilhar a própria vida para sustentar a do outro.
Impulsionadas pela mobilização dos Pequenos Grupos (PGs), colaboradores do HAB participaram da campanha de doação de sangue, promovida entre os dias 27 de março e 3 de abril no Instituto de Hematologia e Hemoterapia em Belém/PA (IHEBE).
Entre sorrisos e conversas espontâneas, os colaboradores reafirmaram que a essência da instituição manifesta-se, sobretudo, na atitude de quem compreende que servir é um gesto de entrega e cuidado genuíno com o próximo.
Cuidar: um compromisso de gerações
Ana Lamego, enfermeira analista do DRG com 13 anos de dedicação à casa, personifica o compromisso que atravessa gerações no Hospital Adventista de Belém. Ao estender o braço para a doação, ela transformou o tempo de serviço em um ato de entrega pessoal.
“Saber que vou fazer a diferença na vida de alguém é recompensador”, compartilha. Para Ana, o gesto ultrapassa o contexto clínico; é um eco de sua própria fé: “Deus deu Seu único Filho para derramar o sangue por nós. A doação é esse ato altruísta de fazer o bem sem olhar a quem”, resume.
Sustentando a missão em cada detalhe
A mesma lógica se desdobra em outras frentes. Entre os dias 23 e 26 de março, o Núcleo de Capacitação e Pesquisa (NCP) promoveu o treinamento administrativo “Orientações em faturamento e o ciclo da receita”.
Mas, ali, algo mais foi construído.
Cada colaborador foi convidado a doar 1 kg de alimento não perecível. O resultado ultrapassou a proposta inicial. Os donativos foram destinados à creche “Cordeirinhos de Deus”, que acolhe diariamente famílias em situação de vulnerabilidade em Belém.
Nesse movimento, o cuidado deixa de ser apenas assistencial e passa a ser relacional — alcança quem está fora, mas nunca fora do propósito.
Para o diretor espiritual, Carlos Escopel, tais gestos traduzem a alma da instituição: “O cuidado não se limita ao que acontece dentro do hospital. O hospital vai além das paredes… é atender a comunidade de alguma maneira”, afirma. Nesse percurso, o cuidado amplia seu significado, deixando de ser apenas assistência para refletir a missão intencional de restaurar vidas por completo.
Salvos pela graça para servir, curar e salvar
Essa prática conecta Adiretamente à atmosfera da “Semana de Oração: Salvos pela graça para servir, curar e salvar”. O evento, que uniu as unidades de Belém e Barcarena via transmissão online no auditório Irineu Stabenow, entre os dias 06 e 10 de abril, foi muito além do rito litúrgico.
A Semana de Oração trouxe à rotina uma pausa intencional para lembrar o que sustenta o esforço diário. Em meio às pressões do ambiente assistencial, a mensagem reforçou a presença de um Deus que acompanha e fortalece. “É um Deus que está ali junto na nossa luta, disposto a nos ajudar a vencer as batalhas do dia a dia”, destaca Escopel.
O palestrante da semana, Dr. Davi Reis Lopes, diretor-executivo da área médica, enfatizou que o serviço só encontra sentido pleno quando nasce da graça. Segundo ele, embora o hospital já tenha o compromisso natural de fazer o bem, o diferencial está na motivação da fé.
“Uma vez que entendo que estou salvo, sou instrumento para servir os demais. Pelas minhas forças, eu não consigo servir, curar e salvar se não for através de Cristo”, pontuou Dr. Davi Lopes.
As reflexões foram um convite ao interior de cada colaborador. Lopes ressaltou que compreender o perdão permite viver com mais leveza, transformando a atuação técnica em transbordo de amor. “Quando eu entendo que Deus me amou, eu agora vou transbordar isso para os nossos pacientes, familiares e para a comunidade”, conclui.





Unidade de Barcarena reforça a missão no dia a dia
Na unidade de Barcarena, o mesmo espírito encontrou espaço na rotina intensa do hospital — e, aos poucos, foi redesenhando o clima entre as equipes. Entre uma demanda e outra, abriram-se brechas para o silêncio, a oração, o canto baixo que ecoava pelos corredores. Não como interrupção, mas como respiro.
“Foi um momento de fé, esperança e conforto. Mesmo em meio aos desafios, conseguimos parar, refletir, ouvir a Palavra. Isso traz paz e renova a confiança”, conta Rúbia Monteiro, supervisora de suprimentos da farmácia do Hospital Adventista de Barcarena.
O envolvimento foi coletivo. Teve quem organizasse o espaço, quem escolhesse as músicas, quem ajustasse detalhes para que ninguém ficasse de fora. Um movimento simples, mas carregado de intenção: criar um ambiente onde o cuidado ultrapassasse o técnico.
No dia a dia, o impacto apareceu nos gestos. Conversas mais pacientes. Olhares mais atentos. Um senso de apoio que se fortalecia sem precisar ser anunciado. “Promoveu pausa e reflexão em meio à rotina. Fortaleceu a união, o respeito e a empatia entre os colaboradores”, resume Rúbia. E completa, com a voz de quem viu de perto a mudança: “Trouxe mais esperança e propósito para enfrentar os desafios.”
A experiência, segundo ela, também reposiciona a forma como a missão é compreendida. Deixa de ser um enunciado institucional e passa a ser vivida como prática cotidiana — um chamado ao amor, ao serviço, ao cuidado com o outro.
No fim, o que permanece não é apenas a lembrança dos encontros, mas a certeza que sustenta tudo. “A salvação é pela graça. E isso nos alcança todos os dias”, diz.
É nesse ponto que a missão se renova — não como discurso, mas como experiência compartilhada.
73 anos: um legado celebrado com gratidão
Em meio à programação, o diretor-geral Ilvo Coutinho, o diretor financeiro Alexandre Lopes e o diretor espiritual Carlos Escopel conduziram uma oração de agradecimento. Não era apenas um rito. Era memória viva — 73 anos sendo apresentados, ali, em forma de gratidão.
Foi nesse mesmo ambiente que nomes conhecidos ganharam voz. Não pelos cargos, mas pelo tempo. Pela permanência. José Ribeiro Smith, 20 anos. Meirecler dos Santos, 30. Maria Garcia da Silva, 40 anos de serviço prestado. Ao serem chamados, não representavam apenas suas próprias jornadas — carregavam, simbolicamente, todos aqueles que, ao longo de décadas, sustentaram a missão com constância silenciosa.
“Comemorar 73 anos durante uma semana de ênfase espiritual tem uma relação direta com aquilo que somos. Servir, curar e salvar não é apenas um lema, é um legado que atravessa o tempo”, afirma o diretor-geral Ilvo Coutinho.
Ao olhar para a história, ele reconhece uma linha contínua que não se rompe, apenas se adapta. A tecnologia avançou, os processos evoluíram, mas a essência permanece. “A missão se atualiza ao contexto, mas não perde o seu fundamento. E é justamente esse compromisso que mantém o hospital forte ao longo das décadas”, destaca.
Para ele, a espiritualidade não é um complemento — é parte estruturante do cuidado. Um princípio que a instituição carrega desde a origem e que, hoje, encontra respaldo até nas discussões mais contemporâneas sobre saúde integral. “Aquilo que hoje é reconhecido como essencial, nós já vivíamos desde o início. A espiritualidade é um elemento fundamental no processo de restauração.”
Ao celebrar esse marco, a mensagem que se projeta para a comunidade não olha apenas para trás. Ela aponta adiante. Um hospital que amadurece, sem perder a capacidade de se renovar. Que cresce, sem se distanciar do propósito. E que segue, dia após dia, transformando missão em prática — no cuidado, na escuta e na presença.






Impacto Esperança: quando a missão ultrapassa os muros
Ao fim da programação, a missão encontrou novos caminhos — agora fora dos muros do hospital. Nas mãos dos colaboradores, livros. No gesto, uma extensão natural de tudo o que havia sido vivido ao longo da semana.
Representando o setor de Tecnologia da Informação, o Pequeno Grupo “Conectados a Jesus” se envol movimento. Após o culto da Semana de Oração, a equipe se organizou para distribuir os exemplares ao redor da instituição, transformando a escuta em ação.
“Durante a semana, fomos alimentados espiritualmente, refletimos, nos aproximamos mais de Deus… mas isso não é só para nós”, conta Sara, colaboradora envolvida na iniciativa. A fala não vem como explicação — vem como continuidade. “O Impacto Esperança é como uma extensão disso na prática. A gente sai do ouvir e passa a viver.”
Para ela, cada livro entregue carrega mais do que páginas. Carrega sentido. “Há pessoas sedentas de um amor verdadeiro, capaz de preencher o vazio dAaaaao coração. E esse vazio só pode ser preenchido por Deus.” É por isso que o gesto, embora simples, ganha profundidade. Não se trata apenas de distribuir literatura, mas de alcançar histórias.
A ação também reposiciona quem entrega. Muda o olhar, desloca o foco. “Não transforma só quem recebe. Transforma quem participa. Porque, às vezes, tudo o que alguém precisa é de uma palavra certa, no momento certo.”
Nesse movimento, a missão se amplia. Deixa de estar restrita ao ambiente hospitalar e se espalha pelas ruas, pelas conversas, pelos encontros inesperados. Como um convite silencioso — de quem recebeu e agora decide compartilhar.







