RMM Outubro Rosa reúne relato de paciente e orientações sobre o tratamento do câncer de mama no HAB
Encontro destacou a importância do diagnóstico precoce, do tratamento individualizado e do acompanhamento multiprofissional para o cuidado integral das pacientes oncológicas.
Durante um passeio de bicicleta com o esposo, Kizzy de Oliveira sentiu um desconforto no braço esquerdo. Sua primeira reação foi perguntar ao marido se ele havia alterado a altura do banco da bicicleta. A dor, porém, continuou. Ao chegar em casa, durante o banho, ela percebeu um pequeno nódulo ao tocar a região dolorida. Naquele mesmo dia, procurou atendimento médico. Era uma quinta-feira e, para a segunda-feira seguinte, já havia conseguido agendar uma consulta com um mastologista.
A descoberta trouxe à memória a experiência de uma tia que havia recebido o diagnóstico de câncer em fase avançada. Apesar da preocupação, Kizzy decidiu aguardar a investigação médica antes de tirar conclusões. “Não me negligenciei ao sentir que tinha alguma coisa errada. Então, eu procurei atendimento”, contou.
A experiência de Kizzy foi compartilhada com os colaboradores do Hospital Adventista Belém (HAB), durante a Reunião de Motivação para Missão (RMM) Outubro Rosa, realizada na sexta-feira (14). A programação reuniu momentos de louvor, reflexão espiritual e uma conversa sobre o câncer de mama, conduzida pela enfermeira navegadora Silma Alexandrino, com a participação da paciente e da oncologista Thaise Pavan.
O encontro ampliou a discussão sobre a saúde da mulher para além da prevenção, abordando os desafios do diagnóstico, as possibilidades de tratamento, as mudanças na rotina e a importância do acolhimento durante essa jornada.
O tema merece atenção também pelos números da doença. Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026–2028, o Brasil deve registrar 78.610 novos casos de câncer de mama feminina por ano. No Pará, são estimados 1.320 casos anuais.

Atenção aos sinais e diagnóstico precoce
A história de Kizzy reforça a importância de procurar avaliação médica ao perceber mudanças no corpo. Embora o desconforto no braço tenha feito parte de sua experiência, esse sintoma, isoladamente, não caracteriza câncer de mama.
De acordo com o INCA e o Ministério da Saúde, os principais sinais de alerta incluem o aparecimento de nódulos na mama ou na axila, alterações no formato do mamilo, saída espontânea de líquido pelo mamilo e mudanças persistentes na pele da mama, como retrações, vermelhidão ou aspecto semelhante ao de uma casca de laranja.
Nem todo nódulo é maligno, mas alterações suspeitas precisam ser investigadas, mesmo quando não provocam dor.
O INCA também diferencia duas estratégias de detecção precoce: o diagnóstico precoce, voltado à investigação de sinais e sintomas, e o rastreamento, realizado em pessoas sem manifestações suspeitas da doença.
No Sistema Único de Saúde (SUS), a recomendação de rastreamento mamográfico populacional é a realização do exame a cada dois anos, entre os 50 e os 74 anos. Mulheres de 40 a 49 anos também podem acessar o exame, após orientação profissional sobre os possíveis benefícios e riscos. Já diante de uma alteração suspeita, a avaliação médica não deve esperar pela próxima mamografia de rotina.
No Pará, a Secretaria de Estado de Saúde Pública (Sespa) também reforçou, durante a campanha Outubro Rosa, a necessidade de procurar os serviços de saúde diante de alterações nas mamas, para que a investigação diagnóstica seja realizada em tempo oportuno.
Exames orientam o tratamento individualizado
Durante a RMM, a oncologista Thaise Pavan explicou que, diante da identificação de um nódulo suspeito, o primeiro passo é procurar avaliação médica para iniciar a investigação.
Dependendo das características da alteração, podem ser solicitados exames como ultrassonografia e mamografia. Quando há suspeita de malignidade, a biópsia permite coletar uma amostra de tecido para análise e confirmação do diagnóstico.
Após essa etapa, outros exames, como a imuno-histoquímica, ajudam a identificar características biológicas do tumor que orientam a escolha do tratamento.
A especialista destacou que o câncer de mama não se apresenta da mesma maneira em todas as pacientes. Por isso, a definição terapêutica considera fatores como a extensão da doença, o tipo de tumor e as condições clínicas individuais.
Entre as possibilidades de tratamento estão cirurgia, quimioterapia, radioterapia, terapias-alvo e imunoterapia. A hormonioterapia também pode ser indicada para determinados tipos de câncer de mama, conforme as características identificadas nos exames. Essas modalidades podem ser combinadas ou utilizadas em diferentes etapas do tratamento.
Segundo o INCA, o diagnóstico em estágios iniciais está associado a maiores possibilidades de tratamento com intenção curativa. Já nos casos de doença avançada, as decisões terapêuticas consideram o controle do câncer, o prolongamento da sobrevida e a qualidade de vida do paciente.
Thaise também abordou as mudanças que o diagnóstico pode provocar na rotina. A continuidade do trabalho e a prática de atividades físicas, por exemplo, precisam ser avaliadas conforme as condições clínicas, os efeitos do tratamento e as necessidades de cada pessoa.
No caso dos exercícios físicos, o INCA reconhece benefícios para a qualidade de vida após o diagnóstico do câncer de mama, desde que a prática seja adaptada e acompanhada por profissionais de saúde.

Acolhimento também faz parte do tratamento
Além das decisões médicas, a RMM destacou a importância do acompanhamento multiprofissional. Para Thaise Pavan, o cuidado oncológico envolve necessidades que não podem ser atendidas exclusivamente durante a consulta médica.
Ao receber o diagnóstico, a paciente precisa compreender a doença, conhecer as possibilidades de tratamento, esclarecer dúvidas sobre os possíveis efeitos colaterais e encontrar suporte para lidar com as mudanças emocionais e físicas que podem surgir.
“É humanamente impossível a gente fazer isso de forma adequada sozinho”, afirmou a oncologista, ao destacar a importância do trabalho integrado entre os profissionais.
No Hospital Adventista Belém, esse acompanhamento conta com a atuação da enfermagem, da enfermeira navegadora, da nutrição e da farmácia, entre outras áreas que contribuem para orientar e acompanhar o paciente durante o tratamento.
A importância desse modelo assistencial também é reconhecida pela Organização Mundial da Saúde (OMS). A entidade destaca que o acompanhamento multiprofissional e a navegação de pacientes oncológicos contribuem para facilitar o acesso às diferentes etapas do cuidado, melhorar a compreensão sobre o tratamento e apoiar a continuidade da assistência.
A importância desse acolhimento também foi reconhecida por Kizzy. Ao recordar sua experiência na Oncologia do HAB, ela destacou a atenção recebida desde a recepção até os profissionais responsáveis pelo acompanhamento assistencial.
“Eu observei que existe muito amor ali, muita empatia, muito respeito, não só pelo paciente, mas pela história que cada um está vivendo, de forma individualizada, humanizada”, relatou.
Para ela, o vínculo construído com os profissionais representa uma fonte importante de apoio, especialmente para quem enfrenta o tratamento sem uma rede familiar ou social próxima.
“Eu me senti muito acolhida, muito amada. Penso que as pessoas que não têm uma rede de apoio encontram essa rede de apoio junto a esse time da Oncologia”, compartilhou.
Fé e respeito à experiência de cada paciente
A dimensão emocional e espiritual do tratamento também esteve presente no relato de Kizzy. Cristã, ela contou que a fé teve um papel importante na maneira como enfrentou o diagnóstico e as etapas do tratamento.
Ao compartilhar sua experiência, a paciente reconheceu que cada pessoa enfrenta a doença de maneira diferente. Para ela, acolher alguém que acaba de receber um diagnóstico de câncer significa oferecer apoio, escutar e respeitar os sentimentos e os limites de cada um.
“A primeira coisa que eu ia fazer era dar um abraço bem apertado nela”, respondeu ao ser questionada sobre o que diria a outra mulher diante de um diagnóstico semelhante.
Kizzy também compartilhou com os participantes os resultados mais recentes de seu acompanhamento. Segundo seu relato, os exames não identificaram mais sinais de câncer na mama nem nos linfonodos, embora ainda houvesse outras avaliações a serem realizadas. Ela recebeu esse momento com gratidão e esperança.
A programação contou ainda com uma reflexão espiritual conduzida pelo capelão Vanderson Macedo, com o tema Além das estações: a esperança que nos sustenta.
Ao reunir informações médicas, experiência pessoal e espiritualidade, a RMM Outubro Rosa proporcionou aos colaboradores um espaço de conscientização sobre a saúde da mulher e de reflexão sobre o cuidado oferecido a quem enfrenta o câncer.
A iniciativa também reforçou um princípio presente na missão do Hospital Adventista Belém: compreender as necessidades de cada pessoa e oferecer uma assistência que considere não apenas a doença, mas também suas dimensões físicas, emocionais e espirituais, com o compromisso de servir, curar e salvar.
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