Projeto fluvial retoma legado missionário das Luzeiros e leva cuidado integral às comunidades da Amazônia
Estrela da Manhã amplia o acesso à saúde em comunidades ribeirinhas e marca nova etapa do cuidado em Barcarena.
O acesso à saúde ainda é um desafio para milhares de moradores de comunidades ribeirinhas da Amazônia. Em localidades cercadas por rios e distantes dos centros urbanos, o atendimento médico depende de longas viagens, horas de espera e custos que muitas famílias têm dificuldade de suportar.
É nesse contexto que Barcarena, município da Região Metropolitana de Belém e um dos principais polos industriais do Pará, passa a escrever um novo capítulo na assistência em saúde. A cidade, marcada pelo crescimento econômico e pela presença de comunidades ribeirinhas em seu entorno, agora recebe o projeto fluvial Estrela da Manhã — iniciativa que aproxima o cuidado de populações que historicamente enfrentam barreiras geográficas, sociais e estruturais para conseguir atendimento especializado.
É dessa realidade que nasce a história de quem vive às margens dos rios.
Na Ilha das Onças, o dia começa cedo para quem precisa de atendimento de saúde. Por ali, o caminho quase nunca é simples.
Aos 76 anos, José dos Santos Prata conhece bem essa rotina. Morador da ilha, ele atravessa o rio sempre que precisa de cuidado. Depois de um acidente que o deixou três anos hospitalizado, as viagens até Belém se tornaram mais frequentes — e mais difíceis.
“Se tivesse um atendimento mais perto, ajudaria. Facilitaria bastante.”
A travessia até a capital leva de 40 a 50 minutos. Até Barcarena, pode passar de uma hora. Mas o desafio não termina na chegada.
“A gente chega às sete da manhã… o atendimento começa nove, dez horas. Quando volta pra casa, já é tarde.”

Contexto e desafios de acesso à saúde
Na mesma casa, a realidade se repete. A filha, Ariane, enfrentou dificuldades até no pré-natal.
“Pra fazer exame, a gente sai da ilha, volta depois de uma semana pra buscar. Tem custo. É difícil.”
Histórias como essas revelam uma realidade comum na Amazônia: distância, espera e dificuldade de acesso à saúde.
É nesse cenário que surge o projeto fluvial Estrela da Manhã.
A embarcação, denominada Luzeiro XXXIII, dá continuidade a um trabalho iniciado na região na década de 1930, quando a primeira lancha missionária levou atendimento médico a comunidades isoladas.
O projeto é desenvolvido pelo Hospital Adventista Belém em parceria com o Instituto Camila, com apoio da Igreja Adventista no Norte do Brasil, da Prefeitura de Barcarena e da Adventist Health Brasil — rede que integra hospitais, clínicas e serviços de saúde adventistas no país, conectando essas unidades a um sistema mais amplo de cuidado, inovação e assistência.
Para o presidente da Adventist Health Brasil, Gilnei de Abreu, a iniciativa representa mais do que uma ação assistencial.
“O Estrela da Manhã é fruto de uma parceria construída com propósito e compromisso social. Nosso objetivo é colocar essa estrutura a serviço das comunidades ribeirinhas.”
O Instituto Camila, responsável pela doação da embarcação, também reforça esse compromisso.
“Queremos que esse trabalho não se perca. As comunidades ribeirinhas ainda enfrentam muitas dificuldades de acesso à saúde”, afirma Benedito Pantoja.

Funcionamento no Estrela da Manhã
Mais do que encurtar distâncias, o Estrela da Manhã redefine o acesso ao cuidado.
A unidade fluvial funcionará como ponto de atendimento ancorado no complexo portuário de Barcarena. O funcionamento será estruturado para atender a população durante três semanas por mês, com uma rotina diária de atendimentos.
Segundo o gerente do serviço social, George Ramos, a capacidade da estrutura amplia significativamente o alcance da assistência.
“A embarcação vai realizar cerca de 1.600 consultas por mês, com seis especialidades médicas, além de exames como eletrocardiograma, ultrassom e raio-x. Também teremos coleta de exames laboratoriais e atendimentos ao longo de todo o dia.”
Além da atuação fixa, o projeto prevê expedições para outras comunidades.
“A gente acredita em um impacto muito grande, principalmente para pessoas que não teriam acesso a esse tipo de atendimento. É uma oportunidade real de cuidado para quem mais precisa”, destaca.
A proposta também se conecta com iniciativas maiores de acesso à saúde na região. Para o vice-almirante Batista, comandante do 4º Distrito Naval, projetos como esse ampliam a presença do cuidado onde ele mais faz falta.
“São ações que levam assistência a populações de difícil acesso, muitas vezes alcançadas apenas pelos rios. Esse tipo de iniciativa se soma a outros esforços e amplia as possibilidades de atendimento para essas comunidades.”


Continuidade da missão médico-missionária
Para o diretor-geral dos Hospitais Adventistas Belém e Barcarena, Ilvo Coutinho, o projeto conecta passado e presente.
“É uma forma de reconhecer o trabalho iniciado no passado e ampliar esse cuidado. Hoje conseguimos levar atendimento especializado para quem mais precisa.”
A história começou em 1931, com a Luzeiro I. O que era uma pequena embarcação se transformou, ao longo das décadas, em uma rede de assistência que hoje inclui hospitais, clínicas e ações sociais.
Agora, esse cuidado volta às águas.

O diretor-geral dos Hospitais Adventistas de Belém e Barcarena, Ilvo Coutinho, ao lado do diretor financeiro, Alexandre Lopes, durante a programação de inauguração do projeto Estrela da Manhã. A presença da liderança reforça o compromisso da instituição com a expansão do acesso à saúde e o fortalecimento da assistência na região. Fotos: ASCOM/HABA
Integração entre saúde e missão
O que move o projeto vai além da assistência clínica.
Para o diretor espiritual, Carlos Escopel, a missão exige proximidade.
“Muitos precisam de apoio, de acolhimento. Queremos promover uma saúde integral.”
Na mesma linha, o presidente da Igreja Adventista para a região Norte, André Dantas, reforça o sentido mais profundo da iniciativa.
“Projetos como o Estrela da Manhã nos lembram o ministério de Cristo, que ia ao encontro das pessoas, levando cura e esperança.”
Fortalecimento da rede de saúde na região
O lançamento do projeto acontece em um momento simbólico para o município.
Para a secretária de Saúde de Barcarena, Milvea Carneiro, a iniciativa representa impacto direto na vida da população.
“Esses projetos ampliam o acesso, reduzem filas e levam atendimento especializado para quem mais precisa.”
Em cinco anos de atuação, o Hospital Adventista Barcarena já realizou mais de 183 mil atendimentos e se consolidou como referência em qualidade assistencial.
Para o diretor financeiro Alexandre Lopes, o projeto também reforça o compromisso institucional com o acesso sustentável à saúde.
“O Estrela da Manhã é mais um projeto de pioneirismo, que busca atender uma população que tem dificuldade de acesso à saúde de qualidade. Mas é fundamental que esse tipo de iniciativa esteja aliado a um modelo sustentável, que garanta continuidade, segurança e estabilidade ao atendimento.”

Fotos: ASCOM/HABA
Impacto social e transformação na saúde
O que se constrói em Barcarena vai além de estruturas.
É um novo caminho para o acesso à saúde.
O Estrela da Manhã, a Clínica Adventista Barcarena e a atuação do Hospital Adventista Barcarena formam uma rede que se move na direção das pessoas.
Integradas à Adventist Health Brasil, essas iniciativas reafirmam um compromisso que atravessa gerações.
Um compromisso de servir, curar e salvar.
E, para famílias como a de seu José, isso significa algo simples — e transformador: ter o cuidado mais perto.
Confira as fotos e relembre os principais momentos desse marco para a nossa instituição.

















