HAB lança escola para formar novos líderes de Belém e Barcarena
Primeira turma reúne 15 colaboradores em uma formação que combina competências de gestão, mentoria e projetos práticos, com foco na continuidade da missão e na preparação para futuras responsabilidades.
O convite chegou pelo WhatsApp e, inicialmente, Silma Alexandrino não entendeu o que aquela oportunidade representava. Ao conhecer a proposta da escola, a enfermeira de navegação da Oncologia do Hospital Adventista Belém (HAB) passou a enxergar um novo caminho de desenvolvimento. “Fiquei muito feliz e grata, pois é uma oportunidade de crescimento pessoal e profissional”, conta.
Silma integra a primeira turma da I Escola de Formação de Líderes do Hospital Adventista, lançada em 16 de setembro, na Sala da Diretoria do HAB. A iniciativa reúne 15 colaboradores do Hospital Adventista Belém e do Hospital Adventista Barcarena, de áreas assistenciais, administrativas e de apoio, para prepará-los para futuras oportunidades de gestão.

Na rotina de Silma, a necessidade de decidir e buscar soluções já está presente. A enfermeira conta que procura acolher as demandas das pessoas e resolver situações que precisam ser encaminhadas para dar continuidade ao tratamento. É a partir dessa experiência que deseja ampliar seus conhecimentos.
“Independentemente do cargo, a liderança tem que ser diária, principalmente em servir. Essa é a verdadeira essência de ser líder. E isso vale para a vida”, afirma.
A proposta se conecta a uma preocupação com o futuro: desenvolver pessoas capazes de conduzir equipes, preservar a identidade institucional e dar continuidade à missão de servir, curar e salvar. Para um hospital com mais de sete décadas de história, esse preparo envolve compartilhar conhecimentos e formar profissionais para as responsabilidades dos próximos ciclos.
Desenvolvimento de pessoas e continuidade da missão
O presidente da Adventist Health Brasil, pastor Gilnei Abreu, ressalta que identificar pessoas com potencial precisa ser acompanhado de oportunidades de preparação. Segundo ele, a escola permite que os colaboradores se descubram como líderes e iniciem uma trajetória de desenvolvimento antes de assumir novas responsabilidades.
“O nosso compromisso é entregarmos o melhor para essas pessoas e esperamos delas que elas possam aproveitar essa oportunidade e realmente se dedicarem no seu aperfeiçoamento”, afirma.
Gilnei também incentiva o aprendizado por meio de leituras e da troca de experiências com colegas e líderes atuais, relacionando essa dedicação à preparação para servir à missão.

Preparar hoje as lideranças do futuro
O diretor-geral, Ilvo Coutinho, explica que a movimentação de profissionais e as transições entre áreas geram a necessidade de preparar novas lideranças. Na saúde, essa responsabilidade exige compreender a interação entre diferentes fluxos, processos e setores.
A partir de indicações internas e da seleção conduzida pelo RH, a escola começou a constituir um grupo de profissionais com potencial para assumir essas funções. “É como se a gente estivesse montando um banco de possíveis líderes do futuro”, afirma Ilvo.

Os participantes terão contato com temas como visão institucional, relacionamento, gestão de pessoas, finanças e resolução de conflitos. Segundo o diretor, são responsabilidades com as quais muitos profissionais ainda não lidam em suas funções atuais e que passam a fazer parte da rotina de quem conduz uma equipe.
“Quando eu me tornei um líder, eu tive que aprender liderança executando a liderança”, recorda. Sua expectativa é que os participantes compreendam previamente o que se espera de um gestor e cheguem mais preparados a uma eventual oportunidade. A participação na escola, ressalta, não garante promoção.
Sustentabilidade e cuidado com as pessoas
Para o diretor financeiro, Alexandre Lopes, a sustentabilidade também depende da transmissão de conhecimentos, da preservação da identidade institucional e do alinhamento de posturas e decisões ao propósito do hospital. Na sua avaliação, formar novos líderes permite dar continuidade ao conhecimento acumulado e à busca pela excelência.

Esse preparo envolve aprender a administrar recursos e, ao mesmo tempo, manter atenção às necessidades de quem trabalha e de quem recebe atendimento. Alexandre considera que o desenvolvimento de uma liderança capaz de reconhecer, valorizar e cuidar das pessoas faz parte dessa construção.
“Nós estamos tentando formar líderes transformacionais e líderes que possam transformar pessoas, que possam ter um olhar individualizado”, afirma.
O diretor destaca que a expectativa é formar profissionais que inspirem suas equipes e compreendam as necessidades da assistência. Para ele, essa visão deve orientar a busca por resultados sustentáveis, mantendo a identidade e a filosofia institucional ao longo do amadurecimento dos novos líderes.
Reconhecer potencial e acompanhar o desenvolvimento
A assessora de Recursos Humanos, Quiraele Erica Santana, explica que a seleção considerou engajamento em treinamentos, escolaridade, perfil de liderança, feedbacks e avaliação de desempenho. A composição de um grupo com profissionais de diferentes setores busca ampliar a compreensão sobre o funcionamento das duas unidades.
“Montamos um grupo diverso, com 15 pessoas de Belém e Barcarena, de setores diferentes, porque liderança precisa enxergar o hospital como um todo”, destaca.
O acompanhamento, segundo Quiraele, incluirá suporte próximo, feedbacks e orientação no desenvolvimento dos projetos. A avaliação deverá observar como os participantes passam a se posicionar, decidir e lidar com as situações do trabalho.
“A gente não está olhando só nota ou presença. O que queremos ver é evolução de postura. Um profissional que começa a se posicionar melhor, que tem mais segurança para decidir, que consegue mobilizar a equipe e lidar com imprevistos com mais maturidade”, explica.

Os participantes serão desafiados a construir soluções para situações reais do hospital. Quiraele explica que, nas atividades sobre conflitos ou tomada de decisão, a discussão deve considerar tanto as ferramentas de gestão quanto os princípios que orientam sua aplicação.
“Como você resolve isso mantendo o cuidado humanizado, o respeito e a excelência que o paciente espera do HAB? O exemplo tem que unir resultado e princípio”, afirma.
Formação conectada aos desafios do hospital
Conforme a supervisora de Recursos Humanos, Márcia Progenio, a turma contempla áreas como Oncologia, Financeiro, Nutrição, Atendimento, Engenharia, Tecnologia da Informação, Planejamento e Farmácia, entre outras. O objetivo é desenvolver competências técnicas, comportamentais e estratégicas para uma condução ética, eficiente e humanizada das equipes.
A programação terá seis módulos, com encontros mensais de quatro horas, totalizando 24 horas de formação, além das atividades práticas, mentorias e elaboração de projetos. As atividades começaram em setembro de 2026, e a conclusão está prevista para março de 2027.
Márcia explica que o percurso começa por missão, valores e pertencimento. Na sequência, serão trabalhados comportamento, relacionamento, comunicação e desenvolvimento contínuo. A formação também abordará proatividade, melhoria de processos, inovação e gestão de equipes. Os dois últimos módulos serão dedicados ao projeto prático, à mentoria e à apresentação dos trabalhos.
O Núcleo de Capacitação e Pesquisa (NCP) atuará em parceria com o RH, as lideranças e a diretoria na organização dos conteúdos, das metodologias e das atividades educacionais, acompanhando a participação e a evolução dos colaboradores.
“O núcleo também contribuirá para a articulação de facilitadores, líderes internos e mentores, proporcionando momentos de aprendizagem conectados à realidade e aos desafios da instituição”, informa Márcia.
Além da conclusão da primeira turma, está prevista para março de 2027 a abertura de uma nova turma da Escola de Formação de Líderes.
Liderança a serviço da missão
O diretor espiritual da Adventist Health Brasil, pastor Josué Espinoza, relaciona o preparo de novos líderes à responsabilidade de servir. Esse foi o tema de sua participação no encontro com a turma. “A gente falou lá sobre liderança espiritual como um chamado de Deus”, relata. Para ele, essa responsabilidade tem um propósito espiritual, expresso na missão de servir, curar e salvar. Josué também destacou a disposição do grupo para se preparar para futuras responsabilidades.