Enfermagem do Hospital Adventista de Belém marca presença histórica no 75º CBEn com oito trabalhos científicos e curso aprovado
Equipe apresentou pesquisas produzidas na Amazônia e reforçou o papel do HAB como instituição que integra assistência, ensino e pesquisa, com foco em qualidade, segurança e cuidado centrado na pessoa.
Quando um paciente chega ao hospital em busca de alívio, cada decisão tomada pela enfermagem — do primeiro acolhimento à aplicação de protocolos complexos — define não apenas o rumo do tratamento, mas também a experiência de cuidado que acompanhará essa pessoa e sua família. No Hospital Adventista de Belém, essa presença nasce de uma prática assistencial qualificada e de uma cultura científica que se desenvolve continuamente, sustentando escolhas clínicas, fortalecendo protocolos e aprimorando processos.
Essa combinação entre técnica, sensibilidade e pesquisa aplicada marcou a participação da instituição no 75º Congresso Brasileiro de Enfermagem (CBEn), realizado entre 23 e 26 de novembro de 2025, em Porto Alegre (RS). O HAB participou com oito trabalhos científicos e um curso aprovado em edital, demonstrando que a produção de conhecimento desenvolvida na Amazônia tem impacto real na assistência e contribui para a evolução da enfermagem em todo o país.

A presença da Amazônia no congresso mais tradicional da enfermagem brasileira
Para a enfermeira Ana Trindade, da Educação Permanente, participar do CBEn com esse conjunto de pesquisas representou um marco institucional:
“Mesmo na Amazônia e em meio aos seus desafios, estamos produzindo ciência aplicada com rigor e impacto real na assistência. Essa conquista evidencia uma enfermagem que não apenas executa, mas pesquisa, publica e contribui nacionalmente, consolidando uma cultura de inovação e liderança clínica.”
O congresso, que completou 75 anos, é reconhecido por reunir especialistas, consolidar políticas públicas e fortalecer a base científica da enfermagem brasileira. Estar ali significou mostrar que a realidade amazônica também é terreno fértil para pesquisa, formação e boas práticas assistenciais.

Oito pesquisas e um curso: ciência que nasce do cotidiano assistencial
As pesquisas apresentadas refletem desafios, soluções e avanços construídos dentro do próprio hospital. Elas abordam temas essenciais para a consolidação de uma prática assistencial segura e inovadora: liderança, clima organizacional, cuidados paliativos, integração de novos colaboradores, terapia infusional, segurança do paciente, análise de indicadores assistenciais e gestão por DRG.
Segundo Gisele Morais Souza, gerente de enfermagem, cada pesquisa traduz a prática diária e o compromisso institucional com a qualidade:
“Cada estudo nasce da nossa vivência prática e da necessidade de aprimorar processos. Mostrar esses resultados em um congresso nacional reforça que a Amazônia também produz ciência robusta, com impacto direto na qualidade da assistência.”
Além das pesquisas, o HAB ministrou o curso “Acreditação hospitalar na Amazônia em tempos de crise: desafios para a enfermagem”, aprovado em edital. A iniciativa destacou a experiência da instituição no uso de indicadores e na execução de processos de qualidade adaptados à realidade regional.

Quando a pesquisa se transforma em cuidado
Os trabalhos apresentados evidenciam que a pesquisa não é um elemento distante da rotina assistencial. Ela nasce da prática diária e retorna à beira-leito em forma de segurança, precisão técnica e humanização.
Para Josiane Freitas, enfermeira e pesquisadora, esse movimento traduz o propósito maior da enfermagem científica:
“Pesquisar é olhar para o cotidiano, identificar problemas e propor soluções que mudam a experiência de quem está no leito. Cada evidência apresentada no congresso já tem reflexo direto na segurança, no conforto e na dignidade do paciente.”
Representar a Amazônia: responsabilidade e afirmação científica
A apresentação das pesquisas em um palco nacional reafirmou a capacidade da enfermagem do HAB de transformar desafios da região em soluções inovadoras. Ana sintetizou esse sentimento:
“Representar a Amazônia é também dizer ao país que produzimos conhecimento de excelência, mesmo diante de desafios logísticos e estruturais. Adaptamos as melhores práticas internacionais ao nosso contexto, e isso nos torna mais fortes.”
Essa visibilidade fortalece o HAB como hospital-escola e como instituição que integra assistência, ensino e pesquisa em um território singular.
Os trabalhos apresentados pelo HAB no 75º CBEn
A seguir, os oito trabalhos apresentados pela equipe de enfermagem, em sínteses ampliadas que ressaltam sua relevância científica e institucional.
1. A atuação da enfermagem na análise do ICSAP e ambulatorização na gestão DRG
Autores: Gisele Morais Souza, Ana Trindade Pereira, Josiane Rodrigues Freitas
A pesquisa revela como a enfermagem assumiu protagonismo na qualificação da codificação do DRG e na análise do ICSAP, aprofundando a compreensão dos fluxos assistenciais e orientando decisões clínicas mais precisas. O estudo mostra que, ao transformar dados em insights, a equipe fortaleceu protocolos, otimizou o giro de leitos e antecipou riscos, criando um modelo de gestão inteligente e alinhado às melhores práticas. É uma leitura essencial para quem deseja compreender como a enfermagem influencia diretamente o desempenho de uma instituição.
2. Gestão de Indicadores Assistenciais: experiência da enfermagem em um hospital filantrópico da Amazônia
Autores: Gisele Morais Souza, Ana Trindade Pereira, Josiane Rodrigues Freitas
Mais do que mensurar resultados, esta pesquisa demonstra como a gestão de indicadores assistenciais se tornou uma ferramenta estratégica de transformação no HAB. O estudo mostra que o monitoramento contínuo elevou a consistência dos processos, qualificou auditorias internas, reduziu variabilidade assistencial e fortaleceu a maturidade organizacional. É uma contribuição relevante para instituições que buscam evoluir com base em dados e evidências.
3. Time de Terapia Infusional na Amazônia: práticas e impactos na segurança do paciente
Autores: Josiane R. Freitas, Gisele M. Souza, Ana T. Pereira, Josilene N. Lago, Tânia S. Coutinho, Claudia E. Moreira
O estudo apresenta um marco assistencial: a criação e consolidação do Time de Terapia Infusional (TTI). Os resultados, que incluem 290 PICCs, 1.410 punções periféricas e 87,7% de sucesso, revelam a capacidade da equipe de transformar um procedimento de alto risco em uma prática segura, eficiente e padronizada. Mais do que números, o trabalho destaca a mudança cultural que ocorre quando a instituição investe em especialização, reduz eventos adversos e aprimora a experiência do paciente.
4. Tecnologias educacionais para segurança no cuidado com o PICC
Autores: Josiane R. Freitas (autora principal), Gisele M. Souza, Ana T. Pereira, Marcia H. Rodrigues Lima, Pauliceia S. Neves, Fernanda A. Trindade
Este estudo apresenta uma inovação educacional no manejo do PICC. O uso de fluxogramas interativos, e-books, plataformas digitais e materiais de apoio qualificou o cuidado, reduziu falhas relacionadas à manipulação e fortaleceu a adesão às boas práticas. A pesquisa evidencia como a educação permanente baseada em tecnologia pode aprimorar competências, padronizar condutas e impactar diretamente os desfechos clínicos.
5. Cultura de qualidade e segurança do paciente, qualidade de vida e saúde mental da enfermagem
Autores: Ana Trindade, Gisele Morais, Edgar de Brito Sobrinho
Este estudo mergulha em um dos temas mais sensíveis da assistência contemporânea: a relação entre cultura de segurança e o bem-estar emocional das equipes. Os resultados mostram que ambientes com cultura de segurança fortalecida apresentam menor desgaste emocional, maior coesão e mais estabilidade assistencial. É uma leitura indispensável para lideranças que desejam fortalecer comunicação, cultura justa e práticas de prevenção de eventos adversos.
6. Liderança organizacional, satisfação no trabalho e prontidão para mudanças
Autores: Ana Trindade, Gisele Morais, Josiane Freitas, Edgar de Brito Sobrinho
A pesquisa investiga o papel da liderança na construção de ambientes saudáveis capazes de reter talentos, promover inovação e preparar equipes para transformações estratégicas. O estudo revela que relações baseadas em confiança, comunicação clara e feedback contínuo favorecem engajamento e fortalecem a maturidade organizacional. É uma contribuição valiosa para instituições que buscam evoluir de maneira sustentável.
7. Implantação do Programa de Integração com Mentoria “Sol e Sombra”
Autores: Ana Trindade, Gisele M. Souza, Josiane R. Freitas, Pauliceia S. Neves
Este trabalho apresenta um modelo de integração inovador, centrado no acolhimento, na mentoria e na construção de pertencimento. A pesquisa demonstra que novos colaboradores, quando recebem apoio estruturado nos primeiros 90 dias, apresentam menor ansiedade, maior segurança clínica e melhor adaptação. A proposta revela uma visão institucional que valoriza pessoas e promove ambientes que cuidam de quem cuida.
8. Cuidados paliativos e indicadores de qualidade assistencial em hospital de alta complexidade
Autores: Ana Trindade, Gisele M. Souza, Josiane R. Freitas, Danielle P. Carvalho, Marcia H. Freitas
Este estudo aborda um dos pilares mais humanizados da assistência: cuidar com dignidade quando a cura já não é possível. A pesquisa evidenciou melhorias na comunicação com famílias, maior alinhamento terapêutico, redução de intervenções fúteis e uso de indicadores mais sensíveis para avaliar sofrimento e qualidade de vida. É uma contribuição relevante para instituições que desejam fortalecer cuidados paliativos centrados na pessoa.