Conferência internacional amplia referências para o desenvolvimento da enfermagem no HAB
Gerente de Enfermagem Gisele Souza conheceu práticas de liderança, simulação realística e organização do cuidado durante programação da AdventHealth, em Orlando.
Preparar profissionais antes que uma nova posição de liderança fique disponível. Criar cenários próximos da realidade para que as equipes possam treinar antes de enfrentar situações complexas. Incluir a família de forma ativa no cuidado. Essas foram algumas das práticas que chamaram a atenção da gerente de Enfermagem do Hospital Adventista de Belém (HAB), Gisele Souza, durante a 9ª Conferência Global de Excelência em Enfermagem.

Realizada em Orlando, na Flórida, a programação reuniu profissionais de enfermagem para discutir temas como liderança, desenvolvimento profissional, segurança, cuidado centrado no paciente, inovação e uso da tecnologia na assistência. Além das palestras, Gisele participou de visitas técnicas a instituições da AdventHealth.
A participação em um evento internacional amplia o contato do HAB com diferentes modelos de organização do cuidado e permite avaliar quais experiências podem ser adaptadas à realidade local. O objetivo não é reproduzir estruturas, mas identificar princípios e práticas capazes de fortalecer as equipes e contribuir para o aperfeiçoamento da assistência.

Lideranças preparadas para o futuro
Entre os conteúdos apresentados, Gisele destaca a organização dos fluxos assistenciais e o modelo de desenvolvimento de lideranças adotado pela AdventHealth.
Nesse modelo, profissionais são preparados gradualmente para assumir novas responsabilidades. Assim, quando ocorre uma mudança de função, já existe alguém acompanhando os processos, desenvolvendo competências e conhecendo as atribuições necessárias para dar continuidade ao trabalho.
“Vi um processo de desenvolvimento de liderança muito bem estruturado. Quando uma pessoa é promovida, já há outro profissional sendo preparado para assumir aquela função no futuro”, explica a gerente.
A experiência reforça a importância de investir continuamente na formação das lideranças de enfermagem. Essa preparação contribui para dar continuidade aos processos, fortalecer a tomada de decisão e manter as equipes alinhadas aos padrões de qualidade e segurança do cuidado.

Treinar antes de enfrentar uma situação real
Uma das visitas técnicas foi realizada no Centro de Simulação da AdventHealth University. O espaço reproduz diferentes ambientes hospitalares, como posto de enfermagem, Unidade de Terapia Intensiva, centro cirúrgico e centro obstétrico.
A estrutura permite que os profissionais treinem procedimentos, comunicação, tomada de decisão e atuação em situações críticas dentro de cenários próximos aos encontrados na assistência.
Embora o centro tenha uma estrutura diferente da disponível no HAB, Gisele identifica a possibilidade de adaptar o conceito aos recursos já existentes no hospital.
“Com o que temos, podemos adaptar alguns treinamentos e criar cenários que contribuam para aperfeiçoar a prática dos técnicos e dos enfermeiros”, afirma.
A simulação realística permite que os profissionais desenvolvam habilidades em um ambiente controlado, analisem condutas e reconheçam oportunidades de melhoria antes de vivenciarem situações semelhantes junto aos pacientes. Por isso, pode ser utilizada como estratégia de educação permanente, preparação das equipes e fortalecimento da segurança assistencial.

Organização do cuidado e participação da família
No AdventHealth for Children, Gisele conheceu aspectos relacionados ao dimensionamento das equipes, à organização das escalas e às estratégias utilizadas para manter profissionais qualificados em uma área que exige conhecimentos específicos.
A possibilidade de organizar as escalas com maior flexibilidade foi um dos pontos observados. Segundo a gerente, essa prática está relacionada à valorização e à permanência de profissionais preparados para trabalhar com o público infantil.
Na visita à maternidade da AdventHealth for Women, outro aspecto ganhou destaque: a inclusão do pai no cuidado com o bebê. A organização da assistência contemplava o acompanhamento da mãe e da criança, além da orientação ao pai para que ele pudesse participar dos cuidados ainda durante a internação.
“A inclusão do pai chamou muito a minha atenção. Ele também é preparado para ajudar nos cuidados com o bebê e apoiar a mãe quando a família retorna para casa”, relata Gisele.
A prática demonstra como a orientação oferecida durante a internação pode ampliar a segurança da família e favorecer a continuidade do cuidado no domicílio. Também reforça uma assistência que considera não apenas as necessidades clínicas, mas o contexto e a rede de apoio da mãe e do bebê.

Conhecimento compartilhado com as equipes
Após a experiência, Gisele pretende organizar os conteúdos recebidos durante o evento e transformá-los em treinamentos voltados aos supervisores, enfermeiros e demais profissionais da enfermagem.
A proposta é analisar os conhecimentos apresentados, selecionar o que pode ser adequado à realidade institucional e compartilhá-lo de forma prática com as equipes. Entre as possibilidades estão o fortalecimento da formação de lideranças e a ampliação do uso de cenários de simulação nos processos educativos.
Quando o conhecimento adquirido em um evento científico retorna à instituição, ele deixa de ser uma experiência individual. Passa a alimentar discussões, estimular melhorias e ampliar o repertório dos profissionais que estão diariamente próximos dos pacientes.
Ao promover esse intercâmbio, o HAB fortalece a educação permanente e mantém suas equipes conectadas às discussões contemporâneas da enfermagem. É um movimento que contribui para o desenvolvimento da assistência no hospital e amplia referências para a enfermagem no Pará e na região, preservando aquilo que permanece no centro de cada processo: o cuidado seguro, humano e alinhado à missão de servir, curar e salvar.
