Capacitação em Libras fortalece cultura de inclusão no cuidado
Com mediação de um facilitador surdo, formação promovida pelo Núcleo de Capacitação da Adventist Health no Pará inspira uma jornada de empatia, escuta e compromisso com a dignidade de todos.
No Hospital Adventista de Belém, cuidar é mais do que oferecer tratamento. É reconhecer o outro em sua singularidade, construir pontes onde existem barreiras e tornar a experiência de saúde mais humana para todos.
Foi com esse propósito que o Núcleo de Capacitação promoveu uma formação em Libras para colaboradores das unidades Belém e Barcarena. Realizada nos dias 4 e 5 de setembro, a capacitação foi conduzida por Douglas Silva, pastor surdo e referência nacional no Ministério dos Surdos da Igreja Adventista do Sétimo Dia.
A experiência mobilizou a equipe em torno de um aprendizado essencial: a comunicação é parte do cuidado. E cuidar exige escuta, sensibilidade e presença.
Formação alinhada à missão e à saúde baseada em valor
Para a Adventist Health no Pará, investir em acessibilidade é investir em saúde com propósito. A Libras, enquanto língua reconhecida por lei, é também uma ferramenta de inclusão, segurança e acolhimento — especialmente em um ambiente hospitalar.
A formação integra um plano institucional que conecta valores cristãos a práticas assistenciais de excelência, promovendo um ambiente mais justo, empático e preparado para atender com qualidade quem chega até nós, independentemente da forma como se comunica.
“Falar de acessibilidade vai além de cumprir uma norma. Reduzimos barreiras, evitamos erros, ampliamos o cuidado. A inclusão faz parte da nossa missão”, reforça Fabília Couto, coordenadora administrativa do Núcleo de Capacitação.
Quando aprender é transformar
Mais do que uma capacitação técnica, o curso proporcionou aos participantes uma vivência sensível com a realidade da comunidade surda — uma população estimada em mais de 10 milhões de pessoas no Brasil.
Para muitos, foi a primeira vez interagindo com um facilitador surdo. A colaboradora Daiane Freire, participante da formação, compartilhou como a experiência impactou sua visão profissional e pessoal:
“O relato dele sobre ter sido atendido por uma única enfermeira que sabia Libras me marcou muito. Sou estudante de enfermagem e quero me preparar para dar assistência a esse público. Se fosse eu no lugar deles, me sentiria deslocada — e ninguém merece passar por isso.”
Daiane também destacou o valor do curso como um convite à empatia:
“A comunicação é essencial para que o cuidado aconteça. Quero ser mais acessível às pessoas que precisam se comunicar de forma diferente.”
Um hospital que aprende com as pessoas
A Libras foi ensinada como linguagem, mas também como símbolo de respeito à dignidade humana. Para Douglas Silva, facilitador da formação, essa vivência com os colaboradores foi mais do que especial:
“Percebi a empolgação dos participantes. Muitos nunca tinham tido contato com uma pessoa surda. Essa vivência foi uma ponte para o universo da Libras e, mais importante, para o entendimento de que comunicação é cuidado.”
O pastor lembrou que muitos pacientes surdos chegam aos hospitais sem conseguir explicar o que estão sentindo — e acabam saindo sem entender o diagnóstico ou o tratamento.
“Saber o nome do medicamento, a dosagem, a forma de uso… quando isso não acontece, o paciente sai com a sensação de que nem foi atendido.”
A gestão da Adventist Health no Pará entende que o cuidado começa na escuta, se concretiza na presença e se fortalece na conexão entre equipe e paciente. Ao formar seus colaboradores com base em experiências reais, a instituição reafirma seu compromisso com a saúde baseada em valor — aquela que considera a pessoa como um todo e garante que cada atendimento seja seguro, acolhedor e transformador.
Multiplicadores de acessibilidade
Os participantes da formação receberam certificados de conclusão, mas o impacto vai além do papel: o verdadeiro resultado está na transformação de mentalidades e na construção de um hospital cada vez mais acessível — não só na estrutura, mas também nas relações.
A capacitação com o pastor Douglas foi o início de uma jornada que continua. Uma jornada de escuta, inclusão e valorização de cada vida.
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