Hospital Adventista Belém apresenta experiência com DRG no 3º Fórum UNIDAS/PA
O encontro foi espaço de diálogo com as operadoras, e a experiência do Hospital Adventista Belém com o DRG contribuiu para discutir eficiência, sustentabilidade e qualidade na gestão hospitalar.
Como identificar desperdícios e usar os recursos necessários em cada internação? Essa questão esteve entre os temas da participação do Hospital Adventista Belém no 3º Fórum UNIDAS/PA, realizado na última quinta-feira (1º). Com o tema “Regulação, Segurança Jurídica e Inovação”, o encontro reuniu representantes do setor para discutir caminhos para a sustentabilidade da saúde suplementar.
O diretor-geral dos Hospitais Adventistas Belém e Barcarena, Ilvo Coutinho, apresentou a experiência da instituição com a metodologia DRG. A gerente comercial das unidades Belém e Barcarena, Amira El Banna, também participou do evento e falou sobre a contribuição do modelo para a análise dos processos hospitalares.
Do custo ao valor do cuidado
Amira explicou que a implantação do DRG ajudou a mudar o foco da análise. Passamos a olhar mais para o valor entregue ao paciente do que para a conta.
“O HAB decidiu investir na metodologia DRG para aprimorar a gestão dos recursos e fortalecer a integração entre eficiência operacional, qualidade do cuidado e valor entregue ao paciente”, afirmou.
A metodologia agrupa internações de pacientes com características clínicas semelhantes. A partir dessa comparação, é possível analisar o uso de recursos, o tempo de permanência e a ocorrência de complicações em casos de perfil equivalente. Esses dados ajudam a identificar excessos e oportunidades de melhoria.
“Hoje sabemos se, para um mesmo DRG, estamos gastando mais, ficando mais dias internados ou tendo mais complicações do que as referências nacionais e internacionais”, explicou Amira.
Para a gerente, esse acompanhamento deve contribuir para qualificar a assistência e manter o foco nas necessidades de cada pessoa atendida. “Queremos qualificar a assistência e trazer segurança para o paciente. Usar o necessário, sem faltar e sem excessos, para entregar o melhor desfecho. É fazer o melhor, sem desperdícios, utilizando exatamente o que o paciente precisa para gerar valor.”

Indicadores e transparência
O Hospital Adventista Belém começou a implantar o DRG no início de 2025 para medir as internações da operadora própria e das demais operadoras. Segundo Ilvo, a decisão partiu da necessidade de transformar o debate sobre sustentabilidade em ações concretas e compreender melhor o desempenho da instituição.
Na apresentação, Ilvo mostrou indicadores acompanhados pelo hospital. Na série que reúne todas as operadoras, o indicador de diárias excedidas passou de 5.808,5 no primeiro trimestre de 2025 para 4.314 no segundo trimestre de 2026. No mesmo intervalo, o indicador identificado como “(in)eficiência operacional” passou de 1,724% para 1,420%. O material também apresentou análises específicas da operadora própria e da Cassi.

Ilvo explicou que o hospital decidiu apresentar também os pontos que precisam de melhoria, como forma de demonstrar que trabalha para enfrentá-los. “Decidimos expor as nossas próprias ineficiências justamente para mostrar que estamos atuando sobre elas. O DRG nos deu a capacidade de enxergar onde estava o desperdício e comprovar que, ao atuar nesses pontos, estamos reduzindo desperdícios sem reduzir a qualidade assistencial.”
A transparência dos dados também pode apoiar o diálogo com as operadoras e a discussão de melhorias nos processos. Ilvo relacionou essa aproximação à possibilidade de avançar, no futuro, para modelos de remuneração que considerem o desempenho.
Para Amira, apresentar os desafios da instituição faz parte do compromisso com a sustentabilidade da saúde suplementar. “Essa abordagem mostra a maturidade com que o HAB tem tratado seus processos e, principalmente, o nosso compromisso com a sustentabilidade do setor. Não adianta falarmos de sustentabilidade da saúde suplementar se não tivermos coragem de arrumar a casa primeiro.”
